segunda-feira, 20 de outubro de 2025


 O livro «CAMÕES, ALTOS CUMES SCABELICASTRO E CORRELATOS» das Edições Cosmos, apoiado entre várias entidades locais e nacionais, pelo Mais Ribatejo, acaba de ser integrado na R.B.E., Rede de Bibliotecas Escolares, ao lado de outras obras que comemoram o V Centenário de Camões.

A lista destas é composta de livros e vídeos com alguns dos maiores nomes da Cultura Nacional, ensaístas, escritores, desenhadores, ficcionistas, associados ao Poeta da Língua Portuguesa, abarcando ainda filmes e vídeos da RTP sobre esta temática.
Lembra-se que a obra (500 pgs) «CAMÕES, ALTOS CUMES, SCABELICASTRO E CORRELATOS» já havia sido considerada um dos melhores livros de não- fiçção de 2024 pelo jornal Observador.
Estão pois de parabéns, além dos patrocinadores deste livro, os autores dele Vítor Serrão e Mário Silvestre, as Edições Cosmos e Santarém, o «Sempre enobrecido Scabelicastro»( in Lusíadas III,55 ), terra onde se guarda na Biblioteca Braamcamp Freire, uma das maiores e mais escolhidas Camonianas de Portugal, e foi também o lugar da antiga Biblioteca Camões, inaugurada no mesmo dia das grandes festas do 3.º Centenário da morte de Luís Vaz de Camões em 1880.

quinta-feira, 5 de junho de 2025

terça-feira, 15 de outubro de 2024

quinta-feira, 3 de outubro de 2024

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024


 A Utopia e a Crítica

Bibliografia anotada ( 2005 - 2010 )
Coordenação de Lourdes Câncio Martins
Prefácio de José Pedro Serra
geral@zainaportugal.pt

segunda-feira, 4 de dezembro de 2023


O Profeta messiânico num tempo em que os Judeus estavam de novo dominados pelos gentios, Jesus surge-nos das brumas de uma heterogénea historiologia como alguém especialmente preocupado com as condições de desagravo de Deus. Do Deus dos Judeus; sempre, em absoluto, o seu. 

Obter a boa vontade divina constituía, afinal, condição essencial do desejado êxito messiânico. Despoletado por uma preconizada mobilização populacional por ocasião da Páscoa, em Jerusalém.

Contudo, não bastou! A expetativa apelativa do fim do mundo será assim iludida. A libertação não chegará.

Com o tempo, os seus seguidores hão de espiritualizar a sua memória; com as consequências ressurrecionais bem conhecidas. A frustração messiânica transforma-se, então, no desiderato remissor. O fracasso da vida, no triunfo da redenção.

Num Mundo Mediterrâneo em que a mitologia redentora estava, afinal, em pleno desenvolvimento. Em que personagens como Paulo, se encarregarão de estruturar, universalizar e deificar propósitos. Transformando, assim, o insucesso em sucesso!

quarta-feira, 4 de outubro de 2023

sábado, 7 de setembro de 2019


Ermida do Senhor do Bonfim - Chamusca



Em breve nada restará desta bela capela, senão se conservar Já!!!
Vista geral da fachada principal.A Ermida do Senhor do Bonfim, ou Ermida do Senhor Jesus do Bonfim, antigamente conhecida também por Ermida da Cruz de Longe, situa-se no local mais alto da vila da Chamusca, o Monte do Bonfim, de onde é possível contemplar uma vista deslumbrante sobre a lezíria. Na encosta sobranceira ao templo existiu um cemitério, um dos primeiros a funcionar fora da igreja depois das reformas de Costa Cabral. O cruzeiro de pedra que actualmente está colocado em frente do templo estava, antigamente, junto ao portão do cemitério.
A ermida foi mandada construir em 1746 pela Confraria do Senhor Jesus do Bonfim, congregação fundada nesse mesmo ano e que permaneceria aqui instalada até à sua extinção, em 1850. As obras durariam até 1749, tendo sido dirigidas por um mestre pedreiro de Lisboa.
Durante o século XVIII, continuaram as obras na ermida e no espaço envolvente, tendo sido então construídas a casas do ermitão e dos romeiros e o curral para a recolha do gado. De facto, a ermida foi, logo desde a sua fundação, um importante local de romagem de toda a região. As principais romarias davam-se na quinta-feira de Ascensão, promovida pelos chamusquenses, e no dia de S. Miguel, esta já organizada pelos habitantes da Golegã, sobretudo pelas mulheres, que eram aqui conhecidas como ceboleiras.
Ainda no mesmo século, efectuaram-se também obras no interior da ermida, tendo sido ladrilhado o pavimento, construído o coro e dourado o retábulo da capela-mor, esta última intervenção levada a cabo por Valentino Baptista, de Santarém. Nos finais do século XVIII, são aplicados os silhares de azulejos da nave e da sacristia.
Em 1834, a lei de extinção de bens de mão morta torna a vida da confraria muito difícil, o que leva à sua extinção em 1850. O pátio murado situado na parte inferior do monte, frente à ermida, é então transformado em cemitério, um dos primeiros do país a funcionar fora da igreja. O cemitério permaneceria aqui até à inauguração do Cemitério Municipal, em 1877.
Vista geral da capela-mor.Em 1965, a ermida foi alvo de obras de conservação e de recuperação, promovidas por um grupo de chamusquenses liderado pela poetisa Maria de Carvalho. Durante os anos que durou a Guerra Colonial, a ermida foi objecto de incessante peregrinação por parte de várias famílias de soldados, facto ainda hoje notório pelo elevado número de ex-votos presentes no seu interior, em especial na sacristia.
Arquitectura e Arte Sacra
A ermida é pequena e de construção simples, marcadamente popular. É um templo de uma só nave, revestida até meia parede por um silhar de azulejos dos finais do século XVIII, representando temas como a Crucificação e o Santíssimo Sacramento. Do lado do evangelho, há um púlpito em talha dourada, marmoreado de azul com relevos a ouro.
A capela-mor é coberta por abóbada de berço rebaixada. O retábulo do altar-mor é em talha dourada e verde, apresentando na tribuna a figura do Senhor Jesus do Bonfim, representado na cruz, pintado em azulejo colocado sobre pedra tosca. Esta decoração denota a fase em que foi executada, em pleno período de transição do barroco para o rococó. A sacristia, anexa à capela-mor do lado do evangelho, é revestida por azulejos de padrão igual aos da nave, mas sem medalhão.
Ao longo do caminho que sobe até ao cimo do outeiro, encontram-se as treze cruzes da via sacra, com placas de azulejo retratando cenas da Paixão. De resto, a ermida é um antigo local de peregrinação para toda a região, desde há pelo menos 250 anos. No seu interior  encontravam-se numerosos ex-votos, alguns deles já seculares, como alguns quadros votivos do século XVIII que estão hoje no Museu Diocesano em Santarém.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Pobre Louca


Se a virem por aí, em desalinho, sem compostura
Correndo de rua em rua, porta em porta, à procura
Não se sabe bem do quê...

Não façais mal à pobre louca!...
O sofrimento é muito a saúde é pouca.
Quem pode dizer algo de sua vida?
Quem sabe se terá sido uma “ bela adormecida “
Que a tormenta arrebatou do seu encanto...
Quem sabe se grande esperança a leva a caminhar
Ou forte dor a não pode deixar parar.

Olhai, quem aí vem!...Traz uma luz à sua frente...
E como Diógenes, olha perto para toda a gente...

É ela! Mão estendida e vela acesa em pleno dia!
Cabelo ao vento, rosto pálido, olhar vago, sem alegria
Onde se estampa o calvário doloroso dos seus filhos.
É ela! ...que tudo corre, tudo olha, tudo busca...
É ela!... a figura nobre da Chamusca
À procura dos seus filhos!...

( Poema de António Bento )

sábado, 26 de fevereiro de 2011

BILHETE

BILHETE
Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima
dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
...Deixa em paz a mim!
Se me
queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e
o amor mais breve ainda...



Mário Quintana

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

O CORVO


O corvo sempre foi o portador da magia. Este seu papel foi reconhecido nas mais diversas culturas, ao longo dos tempos, em todo o planeta. É considerado sagrado honrar o Corvo como sendo portador da magia. Se esta magia for ruim, ela inspirará muito mais medo do que respeito. Aqueles que trabalham com a magia de forma errada têm razões para temer o Corvo, pois isto é sinal de que estão se imiscuindo em áreas que não dominam, e os feitiços que estão fazendo certamente acabarão retornando contra eles. Em vez de deplorar o lado negro da magia, conscientize-se de que você só irá temer o Corvo quando necessitar aprender algo sobre os seus temores secretos ou sobre os demônios criados por sua própria imaginação.

A magia do corvo é poderosa e pode lhe infundir a coragem necessária para penetrar nas trevas do vazio no qual residem todos os seres que ainda não tem forma definida. O Vazio é denominado "Grande Mistério". O Grande Mistério já existia antes que todas as coisas viessem a existir. O Grande Espírito é oriundo do Grande Mistério e vive no Vazio. O Corvo é o mensageiro do Vazio.

O Corvo é prenúncio de mudança de consciência, que pode, inclusive, significar uma viagem pelo Grande Mistério ou por alguma senda situada à margem do tempo. A cor do Corvo é a cor do Vazio - o buraco negro do espaço sideral que congrega todas as energias criadoras. Significa que você conquistou por seus próprios méritos o direito de vislumbrar um pouco mais da magia da vida.

Na cultura dos índios norte-americanos, a cor preta tem diversos significados, mas não simboliza o mal. O preto pode simbolizar, por exemplo, a busca de respostas, o Vazio, ou o caminho para as dimensões suprafísicas.

O Corvo é o mensageiro da magia cerimonial e um curador que opera à distância e que está sempre presente em qualquer Roda de Cura. É ele que conduz o fluxo de energia de uma cerimônia mágica, guiando-a até o seu objetivo final. Seu papel é o de interligar as mentes dos praticantes do ritual com as mentes daqueles que estão necessitando daquele trabalho.

A magia do Corvo não pode ser interpretada de forma racional porque é a magia do desconhecido em ação, preparando a chegada de algum acontecimento muito especial. O Corvo é o protetor dos sinais de fumaça e das mensagens espirituais representadas por ele.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

A engrenagem

PRELO

o prelo pede a chapa
a chapa a tinta
a tinta o papel
o papel a mão
a mão a tiragem
a tiragem a chapa
a chapa o original
o original o tempo
o tempo a leitura
a leitura o entendimento
o entendimento a engrenagem
do tempo no prelo.


Regis Camargo

terça-feira, 27 de julho de 2010

Assim não vamos lá.



Assisti ontem, já ao cair do dia quente como um raio, ao despertar de velhas coisas vividas.
Sorri para dentro com o pensamento a querer ser mais forte do que realmente é !
Mas a tarefa mostrou-se difícil, pois a cada palavra do orador, vinha-me sempre à cabeça, a máxima do meu amigo Falcão Fonseca, só sabe ouvir poesia, quem poesia tem dentro de si...
De facto é assim. Pode-se querer organizar as coisas que são comuns, podemos dar o nosso melhor, pode-se manifestar abertura total e princípios de ética à muito esquecidos pelos mandadores... mas nada !
...só sabe ouvir poesia, quem poesia tem dentro de si!
Assim não vamos lá.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

As máquinas e o amor aos livros


“A máquina não é senão uma nova ferramenta inventada pelo homem, que a maneja como quer.”
Rubens Borba de Moraes


Hoje, os incunábulos -primeiras obras impressas a partir da invenção da tipografia, por volta de 1445, até o ano de 1550- , obras de indiscutível raridade, são alvo de desejo de qualquer amante de livros. Porém, os primeiros impressos foram renegados por contemporâneos à sua origem.

Muitos bibliófilos que assistiram o nascimento da tipografia viram com desconfiança a impressão. Consideravam a máquina algo “vulgar, imperfeita e menos nobre que a mão do homem” (MORAES, 2005, p.197). Tal preconceito pode ser comparado à crítica mais recente em relação à produção em massa de livros. Hoje, não são mais os incunábulos alvo de descrédito, pelo contrário, o que existe são “bibliófilos que desprezam os livros modernos, impressos mecanicamente aos milhares. Para esses amadores, só tem valor artístico o livro impresso à mão e tirado a poucos exemplares” (Idem, ibidem, p.196).

Tais receios e desconfianças podem ser analisados à luz da célebre frase de Padre Claude Frollo no romance de Victor Hugo[1]: Ceci tuera cela. Isto matará aquilo, foi o que disse a personagem no século XV, após a invenção da tipografia, indicando, como analisa Humberto Eco, que “o livro vai matar a catedral, o alfabeto matar as imagens e incentivar a informação supérflua” (ECO, 2003, p.3). Talvez seja esse medo do novo, essa sensação de ameaça ao antigo e tradicional o que motivou e motiva tais preconceitos.

Porém, apesar dessas críticas que circulavam os incunábulos e que podem ser vistas como influência no caráter longo e complexo da transição do manuscrito ao impresso (afinal, até o século XVI não era incomum a feitura de manuscritos), há sinais que indicam que a bibliofilia não rejeitou de todo a essência artística da tipografia. A arte tipográfica foi, inclusive, vista como uma arte hermética, para iniciados, que deveriam prometer segredo sob juramento.

É digno de nota também o primeiro incunábulo sobre bibliofilia, Philobiblon,de Ricardo de Bury, impresso em 1473. Foi elaborado ainda em forma de pergaminho, manuscrito em 1345, mesmo ano da morte de seu autor, beneditino inglês apaixonado por livros que fez questão de deixar registrada a maneira como deveriam dispor de sua notável biblioteca após sua morte. Leitura fundamental aos bibliófilos, trata de cuidados essenciais a serem dispensados aos livros, incluindo como estimá-los e até mesmo como compartilhá-los com estudantes. Sua obra está hoje também disponível em versão bilíngüe (latim e português) Philobiblon ou o amigo do livro, pela Ateliê Editorial, com tradução e notas de Marcelo Cid.

Percebe-se que não foi pacífica a aceitação da tipografia pela bibliofilia, assim como ainda hoje não é unânime a idéia de que “industrializar não é enfeiar” (MORAES, 2005, p.196).

Por Clara Ramthum

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Pedras no caminho?



.
"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreenções e períodos de crise.

Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.

É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.

É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um “não“.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo.”

Fernando António Nogueira Pessoa (1888-1935, Lisboa)

domingo, 4 de julho de 2010

Balada para Moçambique

Mãe
Maningue chuva
Já não sei chorar
... Ver mais
Filho
Não é nada
São lágrimas
Que sobraram do sonho

Tio
Maningue vento
Já não sei voar

Filho
Não é nada
São estrelas
Que sobraram do sonho

Maningue frio mãe
Já não sei dormir

Não é nada filho
Dorme aos pedaços
Agasalha-te no sonho

Amanhã filho
Maningue chuva de pão
E os machimbombos serão navios
Carregadinhos de peixe

E as minas mãe

Serão maningue no céu

Dorme filhinho


(Nota: maningue = muito; machimbombos=autocarro, ônibus)



António Barbosa Topa

sábado, 29 de maio de 2010

Golegã nos anos 50

Raparigas da Golegã, prontas para a fotografia. Neste dia a ordem era para sorrirem pois os carros já estavam prontos para o desfile no cortejo de oferendas para a Santa Casa da Misericórdia da terra.
Nos pés descalços havia " gretas " e calos nas plantas que mais pareciam solas.
O cão parece espantado com os sapatos destas pobres crianças, filhos destas alegres campesinas que amoiravam de sol a sol.