terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Poemas



Há homens que lutam um dia,
e são bons;
Há outros que lutam um ano,
e são melhores;
Há aqueles que lutam muitos anos,
e são muito bons;
Porém há os que lutam toda a vida
Estes são os imprescindíveis

Do rio que tudo arrasta

se diz que é violento
Mas ninguém diz violentas
as margens que o comprimem.

Bertold Brecht

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Lição do Ratinho




Lição do Ratinho
Fábula para aqueles que se sentem seguros na actual crise mundial. O que é mau para alguém é mau para todos...


Um rato, olhando pelo buraco na parede, vê o agricultor e sua esposa abrindo um pacote. Pensou logo no tipo de comida que haveria ali.
Ao descobrir que era uma ratoeira ficou aterrorizado.
Correu ao pátio da quinta advertindo todos:
- Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira na casa!
A galinha disse:
- Desculpe-me Sr. Rato, eu entendo que isso seja um grande problema para si, mas não me prejudica em nada, não me incomoda.
O rato foi até ao porco e disse:
- Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira!
- Desculpe-me Sr. Rato, disse o porco, mas não há nada que eu possa fazer, a não ser orar. Fique tranquilo que o Sr. Será lembrado nas minhas orações.
O rato dirigiu-se à vaca e ela disse-lhe:
- O quê? Uma ratoeira? Por acaso estou em perigo? Acho que não!

Então o rato voltou para casa abatido, para encarar a ratoeira.
Naquela noite ouviu-se um barulho, como o da ratoeira apanhando uma vítima. A mulher do fazendeiro correu para ver o que tinha caído na ratoeira. No escuro, não viu que na ratoeira estava uma cobra venenosa. E a cobra picou a mulher...
O agricultor levou-a imediatamente ao hospital mas ela voltou com febre.
Todo a gente sabe que para alimentar alguém com febre, nada melhor que uma canja de galinha.
O agricultou agarrou no seu cutelo e foi providenciar o ingrediente principal, a galinha.
Como a doença da mulher continuava, os amigos e vizinhos vieram visitá-la. Para os alimentar, o agricultor matou o porco.
A mulher não melhorou e acabou por morrer e muita gente veio para o funeral. O fazendeiro então sacrificou a vaca para alimentar toda aquela gente.


Moral da História:
Na próxima vez que você ouvir dizer que alguém está diante de um problema e considerar que o problema não lhe diz respeito, lembre-se de que quando há uma ratoeira na casa, toda a quinta corre perigo.

Ser livre é querer ir e ter um rumo


Ser livre é querer ir e ter um rumo
e ir sem medo,
mesmo que sejam vãos os passos.
É pensar e logo
transformar o fumo
do pensamento em braços.
É não ter pão nem vinho,
só ver portas fechadas e pessoas hostis
e arrancar teimosamente do caminho
sonhos de sol
com fúrias de raiz.
É estar atado, amordaçado, em sangue, exausto
e, mesmo assim,
só de pensar gritar
gritare só de pensar ir
ir e chegar ao fim.

Armindo Rodrigues

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

O mundo deles


Quando reflicto sobre quão reais e verdadeiras são para o louco as coisas da sua loucura, não posso deixar de concordar com a essência da declaração "Protágoras" de que 'o homem é a medida de todas as coisas'".

in Fernando Pessoa

sábado, 5 de dezembro de 2009

Civilis – Associação para a Cidadania e Desenvolvimento

Corpos Sociais
para o biénio, 2008/2009


Assembleia-Geral

Presidente da Assembleia-Geral, Joaquim José Duarte Garrido,
Vice-Presidente, Fernando Manuel dos Santos Freire,
Secretário, Manuel Ferraz Madeira,
Suplente, Lina Maria Tomé Palhota.

Direcção

Presidente, Aires Manuel Tavares Marques,
Vice-Presidente, Joaquim José de Macedo Viana da Fonseca,
Tesoureiro, David Pereira Garcia,
Vogal, Maria Felícia Prudêncio Gameiro,
Vogal, Fernando Manuel Amaro Pratas,
Vogal, Natércia Silva Fortunato,
Vogal, José Alves Jana,
Vogal, Maria Susete Caetano Vieira,
Vogal, Nuno André Inverno Ribeiro,
Secretário, João Luís Mota Lopes,
Secretário, Maria Isabel Pereira Serrano Jesus Oliveira,
Suplente, Maria de Fátima Caetano Vieira Lopes,
Suplente, Sónia Cristina de Matos Pereira,
Suplente, Joana Margarida Baptista Lopes.

Conselho Fiscal

Presidente, Nuno Filipe da Fonseca Gameiro,
Secretário, José Manuel Pereira Martins,
Relator, António do Carmo Pratas,
Suplente, Henrique José Ermitão Vieira Paixão.

___________////___________

Civilis – Associação para a Cidadania e Desenvolvimento
Praça da República 2260-411Vila Nova da Barquinha
Telef: 249 720 364 Fax: 249 720 368
E-mail: civilis.acd@gmail.com

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Democracia

Democracia é um regime de governo onde o poder de tomar importantes decisões políticas está com os cidadãos povo, directa ou indirectamente, por meio de representantes eleitos — forma mais usual. Uma democracia pode existir num sistema presidencialista ou parlamentarista, republicano ou monárquico.

As Democracias podem ser divididas em diferentes tipos, baseado em um número de distinções. A distinção mais importante acontece entre democracia directa (algumas vezes chamada "democracia pura"), onde o povo expressa a sua vontade por voto directo em cada assunto particular, e a democracia representativa (algumas vezes chamada "democracia indirecta"), onde o povo expressa sua vontade através da eleição de representantes que tomam decisões em nome daqueles que os elegeram.

Outros itens importantes na democracia incluem exactamente quem é "o Povo", isto é, quem terá direito ao voto; como proteger os direitos de minorias contra a "tirania da maioria" e qual sistema deve ser usado para a eleição de representantes ou outros executivos.

domingo, 29 de novembro de 2009

O caminho








Leve é a tarefa
quando muitos
dividem o trabalho


Homero

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

PARA PINTAR O RETRATO DE UM PÁSSARO

Primeiro pintar uma gaiola
com a porta aberta
pintar depois
algo de lindo
algo de simples
algo de belo
algo de útil
para o pássaro

depois dependurar a tela numa árvore
num jardim
num bosqueou numa floresta
esconder-se atrás da árvore
sem nada dizer
sem se mexer…Às vezes o pássaro chega logo
mas pode ser também que leve muitos anos
para se decidir

Não perder a esperança
esperar
esperar se preciso durante anos
a pressa ou a lentidão da chegada do pássaro
nada tem a ver
com o sucesso do quadro

Quando o pássaro chegar
se chegar
guardar o mais profundo silêncio
esperar que o pássaro entre na gaiola
e quando já estiver lá dentro
fechar lentamente a porta com o pincel

depois
apagar uma a uma todas as grades
tendo o cuidado de não tocar numa única pena do pássaro
Fazer depois o desenho da árvore
escolhendo o mais belo galho
para o pássaro
pintar também a folhagem verde e a frescura do vento
a poeira do sol
e o barulho dos insectos pelo capim no calor do verão
e depois esperar que o pássaro queira cantar

Se o pássaro não cantar
mau sinal

sinal de que o quadro é ruim
mas se cantar bom sinal
sinal de que pode assiná-lo
Então você arranca delicadamente
uma das penas do pássaro
e escreve seu nome num canto do quadro.



de “Paroles” (1945)

JACQUES PRÉVERT

sábado, 31 de outubro de 2009

O Poder

...a paralisia instala-se, seguida pela indiferença, depois pela revolta. Os controladores, estas versões burocráticas do pitoresco, não são muito, nem mais felizes, pois nem por deterem uma parcela do poder são menos submetidos a controlos.
Encontro aí um reflexo do universo prisional...

sábado, 19 de setembro de 2009

Escrito no vento

Cão que é cão, gosta que lhe façam festas.
Com estas simples palavras, o meu pai indicava-me caminhos para a compreensão, que eu confesso na altura não lhe dava o total valor. Hoje, sabendo que mais ensinamentos e descodificações de velhas frases suas, estarão para aflorar os meus pensamentos no dia-a-dia, reconheço a sua sabedoria de palavras com cultura milenar, mas que contêm todo o mundo dentro.
Vem isto a propósito de um recente artigo que li, em que "o gritante" passado a euforia dos seus actos ( ou dos seus consentidos actos ) justifica para si e só para si, atitudes reprováveis, balizando-as como "consequências das atitudes de cada um" esquecendo por opção, os valores de ética, que é a meu ver o que podemos inserir na retina de quem nos vê, a formação da pessoa que queremos ser!
Estamos na altura certa das nossas vidas, para fazer coisa da qual possamos dizer " se alguém me abre a porta...concerteza que mereço".

sábado, 12 de setembro de 2009

14 de Outubro

14 de Outubro - O General Massena tenta penetrar, sem sucesso, nas fortificações de Sobral das "Linhas de Torres" e procede à retirada para Santarém. Tentaram, igualmente, a travessia por barco mas estes foram incendiados pelos pescadores da Chamusca

Arício.

A cidade
de Arício é, descrita como uma das mais
antigas povoações da Lusitânia.
Esta antiguidade,
rebusca-a ao tempo do dilúvio
bíblico e à concessão que Noé
fez a seu neto Tubal, estabelecendo
que ele repovoasse a
parte da Terra correspondente
à Hispânia.

Ter-se-á Tubal estabelecido
no que hoje é Setúbal.
Daqui saiu um capitão do
exército de Tubal chamado
Turdulo, o qual com mais gentes
subiu pelo Tejo e, chegado
à zona do que é hoje a vila de
Chamusca, fundou a cidade
de Arício
.

ao demorar fixar-te


Ao ver-te pelo rectângulo
da minha roleflex
descobri em ti pormenores
antes despercebidos,
ao demorar fixar-te
arranjei tempo para te ver!

Ao nosso lado, os carros
continuavam a correr
como se fosse quase impossível
lá chegar a tempo
sabe-se lá que tempo e para onde!

Estavas calma, sorrias
intemporal, tinhas luz
os meus olhos, percorriam-te ávidos
senti orgulho em ter-te
sem te ter
sei que ficarás e eu partirei
mas farei do nosso encontro
um registo perpétuo de querer
moldando as formas que tens
e de amor em amor
em busca de mais saber
te amarei minha Chamusca.

in O sonho..

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Patxi Andion


Veinte anos de estar juntos,
esta tarde se han cumplido,
para ti flores,
perfumes para mi...!Algunos libros!
No te he dicho grandes cosas
porque no me habrian salido,
! ya sabes cosas de viejos!
!Requemor de no haber sido!
Hace tiempo que intentamos
bonar nuestro Destino,
Tú bajabas la persiana.
Yo apuraba mi ultimo vino.
Hoy En esta noche fría
casi como ignorando
el sabor de soledad compartida,
quise hacerte una canción,
para cantar despacito,
como se duerme a los ninos.
Y ya ves solo palabras, sobre notas me han salido.
Que al igual que tú y que yo,
se soportan amistosas,
ni se importan ni se estorban,
mas non son una canción.
...Qué helaba está esta casa.
...Será que está cerca del Rio.
...O es que entramos en invierno.
...Y están llegando... ...Están llegando los fríos.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Atitude



"O valor das coisas
não está no tempo em que elas duram,
mas na intensidade
com que acontecem.

Por isso existem
momentos
inesquecíveis,
coisas inexplicáveis
e pessoas
incomparáveis"

in Fernando Pessoa

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Porque o medo - Alexandre O’Neil:




Vai ter tudo
Vai ter enredos quase inocentes
ouvidos não só nas paredes
mas também no chão
no tecto
no murmúrio dos esgotos
e talvez até (cautela!)
ouvidos nos teus ouvidos.
O medo vai ter tudo
heróis (o medo vai ter heróis!)
a tua voz talvez
talvez a minha
com certeza a deles.
Vai ter suspeitas como toda a gente...
(Penso no que o medo vai ter
e tenho medo
que é justamenteo que o medo quer.)

Alexandre O’Neil

domingo, 2 de agosto de 2009

Fernando Pessoa

Sou um evadido.
Logo que nasci
Fecharam-me em mim,
Ah, mas eu fugi.

Se a gente se cansa
Do mesmo lugar,
Do mesmo ser
Por que não se cansar?

Minha alma procura-me
Mas eu ando a monte,
Oxalá que ela
Nunca me encontre.

Ser um é cadeia,
Ser eu é não ser.
Viverei fugindo
Mas vivo a valer.

Foto bing

sábado, 18 de julho de 2009

O boato



O boato pode ter inúmeros efeitos.

Destruir uma pessoa, colocar uma pessoa num pedestal que não lhe pertence, provocar reacções colectivas, destruir uma empresa ou um produto, etc.
Todos conhecemos inúmeros boatos que percorreram a vida pública portuguesa.

O aspecto mais perigoso do boato é que muito dificilmente se desmente, tendo, por vezes, a tentativa de o negar, um efeito contrário ao pretendido.

Quase sempre recorrendo ao “não há fumo sem fogo”, esquecendo-se as pessoas que para um provérbio há sempre outro que diz exactamente o contrário, pois “nem tudo o que parece é”. Chama-se a isto sabedoria popular.

Sentenciar num sentido e arranjar imediatamente forma de sentenciar de forma inversa se tal for o mais conveniente.
O boato que neste momento corre desonrar quem se atreve a contestar formas de poder.
Quando confronto as pessoas com a falsidade desta informação, afirmam que ouviram

–A Quem? – Pergunto eu
Apontam para o dizem, ou para obscuros não me lembro , mas ninguém me diz onde está nem ninguém diz que leu.
Finalmente acabam por referir
– Dizem que é assim!
– Mas diz quem? – Pergunto eu.
Há muita gente a dizer, mas essas pessoas que dizem, interrogadas, acabam por se refugiar todas na mesma argumentação: dizem….
Às vezes surge uma novidade.
–As pessoas falam.
– Mas quem fala? – Questiono.
Ninguém sabe, ninguém viu, ninguém leu.
Concluindo. Estamos perante um boato.

Não há qualquer obrigatoriedade de questionar ou indagar se é verdade, e até agradecia que alguém me demonstrasse o contrário.
Quem pôs o boato a circular?

Não faço ideia quem o fez ( risos ), nem com que objectivos ( + risos ).
O que me preocupa é o facto de as pessoas a quem o boato se dirige aceitarem esta informação como válida, sem qualquer sentido crítico, sem procurarem saber da sua veracidade.
Contentam-se com “ é verdade porque dizem”.
Seria de esperar outra atitude?.

Pensar deve ser uma atitude assumida e não ficar numa falsa neutralidade, exposto ao que não existe.
"Uma mentira levada à exaustão, para o ser comum dos mortais, transforma-se, facilmente, numa verdade."
.
.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

"Pintura Criativa"



Appio Cláudio, natural de Ovar, radicado na Chamusca desde 1974, Participou em numerosas exposições individuais e colectivas na Chamusca, Torres Novas, Entroncamento, Vila Nova da Barquinha, Santarém, Lisboa e Almada.Tem obras em colecções privadas e públicas em Portugal e Espanha.Embora utilize algum figurativismo, desenvolve uma pintura de fusão com fortes mensagens de cunho humanista.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Transporte no tempo

Requiem por um cão
Cão que matinalmente farejavas a calçada
as ervas os calhaus os seixos os paralelipípedos
os restos de comida os restos de manhã
a chuva antes caída e convertida numa como que auréola da terra
cão que isso farejas cão que nada disso já farejas
Foi um segundo súbito e ficaste ensanduichado
esborrachado comprimido e reduzido
debaixo do rodado imperturbável do pesado camião
Que tinhas que não tens diz-mo ou ladra-mo
ou utiliza então qualquer moderno meio de comunicação
diz-me lá cão que faísca fugiu do teu olhar
que falta nesse corpo afinal o mesmo corpo
só que embalado ou liofilizado?
Eras vivo e morreste nada mais teus donos
se é que os tinhas sempre que de ti falavam
falavam no presente falam no passado agora
Mudou alguma coisa de um momento para o outro
coisa sem importância de maior para quem passa
indiferente até ao halo da manhã de pensamento posto
em coisas práticas em coisas próximas
Cão que morreste tão caninamente
cão que morreste e me fazes pensar parar até
que o polícia me diz que siga em frente
Que se passou então? Um simples cão que era e já não é...


RUY BELO

sábado, 4 de julho de 2009

Mudam-se os tempos

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
Mudam-se os tempos,


mudam-se as vontades,

Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.



Luís de Camões

sexta-feira, 3 de julho de 2009

As mãos

Com mãos se faz a paz
se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz
e se desfaz.

Com mãos se faz o poema
– e são de terra.
Com mãos se faz a guerra
– e são a paz.
Com mãos se rasga o mar.
Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas mas
de mãos.
E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.
E cravam-se no Tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.
De mãos é cada flor cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.

Manuel Alegre

quarta-feira, 1 de julho de 2009

O sonho

Triste de quem vive em casa,
Contente com o seu lar,
Sem que um sonho, no erguer de asa,
Faça até mais rubra a brasa
Da lareira a abandonar!

Triste de quem é feliz!
Vive porque a vida dura.
Nada na alma lhe diz
Mais que a lição da raiz
-Ter por vida a sepultura.

Fernando Pessoa

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Francisco da Silva Brás


Pois é, a vida resume-se mesmo a isto poderá dizer-se; lutar, lutar por ela e... morrer!

Mas acho que não é assim, não pode ser assim!

Francisco Brás morreu hoje, outros vão por certo lembrar carnavais e teatros idos. Eu não!

Vou isso sim lembrar a sua coragem em perseguir sempre os seus sonhos, por mais fortes ou modestos que fossem, tinha sempre um querer lutar por aquilo que acreditava estar ao seu alcance, numa clarividência peculiar que o tornava obsessivo, e onde vincava junto das pessoas que prezava as suas opiniões fortes e decididas.

Agradeço aqui o que fez por alguns sonhos meus!


sábado, 6 de junho de 2009

PAUL ÉLUARD



Em toda a carne que tive
Na fronte dos meus amigos
Em cada mão que se estende
Escrevo o teu nome
Na vidraça das surpresas
Nos lábios que estão atentos
Muito acima do silêncio
Escrevo o teu nome
Nos meus refúgios desfeitos
Nos meus faróis aluídos
Nas paredes do meu tédio
Escrevo o teu nome
Na ausência sem desejo
Na solidão despojada
Na escadaria da morte
Escrevo o teu nome
Sobre a saúde refeita
Sobre o perigo dissipado
Sobre a esperança esquecida
Escrevo o teu nome
E pelo poder da palavra
Recomeço a minha vida
Nasci para te conhecer
Nasci para te nomear
Liberdade


LIBERDADE -POEMA DE PAUL ÉLUARD
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