A cidade
de Arício é, descrita como uma das mais
antigas povoações da Lusitânia.
Esta antiguidade,
rebusca-a ao tempo do dilúvio
bíblico e à concessão que Noé
fez a seu neto Tubal, estabelecendo
que ele repovoasse a
parte da Terra correspondente
à Hispânia.
Ter-se-á Tubal estabelecido
no que hoje é Setúbal.
Daqui saiu um capitão do
exército de Tubal chamado
Turdulo, o qual com mais gentes
subiu pelo Tejo e, chegado
à zona do que é hoje a vila de
Chamusca, fundou a cidade
de Arício.
sábado, 12 de setembro de 2009
ao demorar fixar-te
Ao ver-te pelo rectângulo
da minha roleflex
descobri em ti pormenores
antes despercebidos,
ao demorar fixar-te
arranjei tempo para te ver!
Ao nosso lado, os carros
continuavam a correr
como se fosse quase impossível
lá chegar a tempo
sabe-se lá que tempo e para onde!
Estavas calma, sorrias
intemporal, tinhas luz
os meus olhos, percorriam-te ávidos
senti orgulho em ter-te
sem te ter
sei que ficarás e eu partirei
mas farei do nosso encontro
um registo perpétuo de querer
moldando as formas que tens
e de amor em amor
em busca de mais saber
te amarei minha Chamusca.
in O sonho..
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Patxi Andion

Veinte anos de estar juntos,
esta tarde se han cumplido,
para ti flores,
perfumes para mi...!Algunos libros!
No te he dicho grandes cosas
porque no me habrian salido,
! ya sabes cosas de viejos!
!Requemor de no haber sido!
Hace tiempo que intentamos
bonar nuestro Destino,
Tú bajabas la persiana.
Yo apuraba mi ultimo vino.
Hoy En esta noche fría
casi como ignorando
el sabor de soledad compartida,
quise hacerte una canción,
para cantar despacito,
como se duerme a los ninos.
Y ya ves solo palabras, sobre notas me han salido.
Que al igual que tú y que yo,
se soportan amistosas,
ni se importan ni se estorban,
mas non son una canción.
...Qué helaba está esta casa.
...Será que está cerca del Rio.
...O es que entramos en invierno.
...Y están llegando... ...Están llegando los fríos.
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Atitude
"O valor das coisas
não está no tempo em que elas duram,
mas na intensidade
com que acontecem.
Por isso existem
momentos
inesquecíveis,
coisas inexplicáveis
e pessoas
incomparáveis"
in Fernando Pessoa
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
Porque o medo - Alexandre O’Neil:

Vai ter tudo
Vai ter enredos quase inocentes
ouvidos não só nas paredes
mas também no chão
no tecto
no murmúrio dos esgotos
e talvez até (cautela!)
ouvidos nos teus ouvidos.
O medo vai ter tudo
heróis (o medo vai ter heróis!)
a tua voz talvez
talvez a minha
com certeza a deles.
Vai ter suspeitas como toda a gente...
(Penso no que o medo vai ter
e tenho medo
que é justamenteo que o medo quer.)
Alexandre O’Neil
domingo, 2 de agosto de 2009
Fernando Pessoa
sábado, 18 de julho de 2009
O boato
O boato pode ter inúmeros efeitos.
Destruir uma pessoa, colocar uma pessoa num pedestal que não lhe pertence, provocar reacções colectivas, destruir uma empresa ou um produto, etc.
Todos conhecemos inúmeros boatos que percorreram a vida pública portuguesa.
Todos conhecemos inúmeros boatos que percorreram a vida pública portuguesa.
O aspecto mais perigoso do boato é que muito dificilmente se desmente, tendo, por vezes, a tentativa de o negar, um efeito contrário ao pretendido.
Quase sempre recorrendo ao “não há fumo sem fogo”, esquecendo-se as pessoas que para um provérbio há sempre outro que diz exactamente o contrário, pois “nem tudo o que parece é”. Chama-se a isto sabedoria popular.
Sentenciar num sentido e arranjar imediatamente forma de sentenciar de forma inversa se tal for o mais conveniente.
O boato que neste momento corre desonrar quem se atreve a contestar formas de poder.
Quando confronto as pessoas com a falsidade desta informação, afirmam que ouviram
O boato que neste momento corre desonrar quem se atreve a contestar formas de poder.
Quando confronto as pessoas com a falsidade desta informação, afirmam que ouviram
–A Quem? – Pergunto eu
Apontam para o dizem, ou para obscuros não me lembro , mas ninguém me diz onde está nem ninguém diz que leu.
Finalmente acabam por referir
– Dizem que é assim!
– Mas diz quem? – Pergunto eu.
Há muita gente a dizer, mas essas pessoas que dizem, interrogadas, acabam por se refugiar todas na mesma argumentação: dizem….
Às vezes surge uma novidade.
–As pessoas falam.
– Mas quem fala? – Questiono.
Ninguém sabe, ninguém viu, ninguém leu.
Concluindo. Estamos perante um boato.
Apontam para o dizem, ou para obscuros não me lembro , mas ninguém me diz onde está nem ninguém diz que leu.
Finalmente acabam por referir
– Dizem que é assim!
– Mas diz quem? – Pergunto eu.
Há muita gente a dizer, mas essas pessoas que dizem, interrogadas, acabam por se refugiar todas na mesma argumentação: dizem….
Às vezes surge uma novidade.
–As pessoas falam.
– Mas quem fala? – Questiono.
Ninguém sabe, ninguém viu, ninguém leu.
Concluindo. Estamos perante um boato.
Não há qualquer obrigatoriedade de questionar ou indagar se é verdade, e até agradecia que alguém me demonstrasse o contrário.
Quem pôs o boato a circular?
Quem pôs o boato a circular?
Não faço ideia quem o fez ( risos ), nem com que objectivos ( + risos ).
O que me preocupa é o facto de as pessoas a quem o boato se dirige aceitarem esta informação como válida, sem qualquer sentido crítico, sem procurarem saber da sua veracidade.
Contentam-se com “ é verdade porque dizem”.
Seria de esperar outra atitude?.
Pensar deve ser uma atitude assumida e não ficar numa falsa neutralidade, exposto ao que não existe.
O que me preocupa é o facto de as pessoas a quem o boato se dirige aceitarem esta informação como válida, sem qualquer sentido crítico, sem procurarem saber da sua veracidade.
Contentam-se com “ é verdade porque dizem”.
Seria de esperar outra atitude?.
Pensar deve ser uma atitude assumida e não ficar numa falsa neutralidade, exposto ao que não existe.
"Uma mentira levada à exaustão, para o ser comum dos mortais, transforma-se, facilmente, numa verdade."
.
.
sexta-feira, 10 de julho de 2009
"Pintura Criativa"

Appio Cláudio, natural de Ovar, radicado na Chamusca desde 1974, Participou em numerosas exposições individuais e colectivas na Chamusca, Torres Novas, Entroncamento, Vila Nova da Barquinha, Santarém, Lisboa e Almada.Tem obras em colecções privadas e públicas em Portugal e Espanha.Embora utilize algum figurativismo, desenvolve uma pintura de fusão com fortes mensagens de cunho humanista.
segunda-feira, 6 de julho de 2009
Transporte no tempo
Requiem por um cão
Cão que matinalmente farejavas a calçada
as ervas os calhaus os seixos os paralelipípedos
os restos de comida os restos de manhã
a chuva antes caída e convertida numa como que auréola da terra
cão que isso farejas cão que nada disso já farejas
Foi um segundo súbito e ficaste ensanduichado
esborrachado comprimido e reduzido
debaixo do rodado imperturbável do pesado camião
Que tinhas que não tens diz-mo ou ladra-mo
ou utiliza então qualquer moderno meio de comunicação
diz-me lá cão que faísca fugiu do teu olhar
que falta nesse corpo afinal o mesmo corpo
só que embalado ou liofilizado?
Eras vivo e morreste nada mais teus donos
se é que os tinhas sempre que de ti falavam
falavam no presente falam no passado agora
Mudou alguma coisa de um momento para o outro
coisa sem importância de maior para quem passa
indiferente até ao halo da manhã de pensamento posto
em coisas práticas em coisas próximas
Cão que morreste tão caninamente
cão que morreste e me fazes pensar parar até
que o polícia me diz que siga em frente
Que se passou então? Um simples cão que era e já não é...
RUY BELO
Cão que matinalmente farejavas a calçada
as ervas os calhaus os seixos os paralelipípedos
os restos de comida os restos de manhã
a chuva antes caída e convertida numa como que auréola da terra
cão que isso farejas cão que nada disso já farejas
Foi um segundo súbito e ficaste ensanduichado
esborrachado comprimido e reduzido
debaixo do rodado imperturbável do pesado camião
Que tinhas que não tens diz-mo ou ladra-mo
ou utiliza então qualquer moderno meio de comunicação
diz-me lá cão que faísca fugiu do teu olhar
que falta nesse corpo afinal o mesmo corpo
só que embalado ou liofilizado?
Eras vivo e morreste nada mais teus donos
se é que os tinhas sempre que de ti falavam
falavam no presente falam no passado agora
Mudou alguma coisa de um momento para o outro
coisa sem importância de maior para quem passa
indiferente até ao halo da manhã de pensamento posto
em coisas práticas em coisas próximas
Cão que morreste tão caninamente
cão que morreste e me fazes pensar parar até
que o polícia me diz que siga em frente
Que se passou então? Um simples cão que era e já não é...
RUY BELO
sábado, 4 de julho de 2009
Mudam-se os tempos
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
Mudam-se os tempos,
mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
Luís de Camões
Mudam-se os tempos,

mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
Luís de Camões
sexta-feira, 3 de julho de 2009
As mãos
Com mãos se faz a paz
se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz
e se desfaz.
Com mãos se faz o poema
– e são de terra.
Com mãos se faz a guerra
– e são a paz.
Com mãos se rasga o mar.
Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas mas
de mãos.
E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.
E cravam-se no Tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.
De mãos é cada flor cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.
Manuel Alegre
se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz
e se desfaz.
Com mãos se faz o poema
– e são de terra.
Com mãos se faz a guerra
– e são a paz.
Com mãos se rasga o mar.

Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas mas
de mãos.
E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.
E cravam-se no Tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.
De mãos é cada flor cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.
Manuel Alegre
quarta-feira, 1 de julho de 2009
sexta-feira, 12 de junho de 2009
Francisco da Silva Brás
Pois é, a vida resume-se mesmo a isto poderá dizer-se; lutar, lutar por ela e... morrer!
Mas acho que não é assim, não pode ser assim!
Francisco Brás morreu hoje, outros vão por certo lembrar carnavais e teatros idos. Eu não!
Vou isso sim lembrar a sua coragem em perseguir sempre os seus sonhos, por mais fortes ou modestos que fossem, tinha sempre um querer lutar por aquilo que acreditava estar ao seu alcance, numa clarividência peculiar que o tornava obsessivo, e onde vincava junto das pessoas que prezava as suas opiniões fortes e decididas.
Agradeço aqui o que fez por alguns sonhos meus!
sábado, 6 de junho de 2009
PAUL ÉLUARD

Em toda a carne que tive
Na fronte dos meus amigos
Em cada mão que se estende
Escrevo o teu nome
Na vidraça das surpresas
Nos lábios que estão atentos
Muito acima do silêncio
Escrevo o teu nome
Nos meus refúgios desfeitos
Nos meus faróis aluídos
Nas paredes do meu tédio
Escrevo o teu nome
Na ausência sem desejo
Na solidão despojada
Na escadaria da morte
Escrevo o teu nome
Sobre a saúde refeita
Sobre o perigo dissipado
Sobre a esperança esquecida
Escrevo o teu nome
E pelo poder da palavra
Recomeço a minha vida
Nasci para te conhecer
Nasci para te nomear
Liberdade
LIBERDADE -POEMA DE PAUL ÉLUARD
window blues by appleplusskeleton
Liberdade "By FallenAngel24 "

Livre como um pássaro
A voar na floresta
É assim a liberdade
Que ainda nos resta
Estar preso não faz sentido
Como um medo que se sente
Tal como um pedaço de nós que está ferido
A ferver em água quente
Não existe equilíbrio
Nesta balança pesada
Sê livre com um rio
Que corre na madrugada
Ser livre é ser feliz
Estar preso é ser frustrado
Como a canção que diz
Eu quero ser amado.
By FallenAngel24
A voar na floresta
É assim a liberdade
Que ainda nos resta
Estar preso não faz sentido
Como um medo que se sente
Tal como um pedaço de nós que está ferido
A ferver em água quente
Não existe equilíbrio
Nesta balança pesada
Sê livre com um rio
Que corre na madrugada
Ser livre é ser feliz
Estar preso é ser frustrado
Como a canção que diz
Eu quero ser amado.
By FallenAngel24
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Descobertas
Mais vale um tempestuosa liberdade,
que uma tranquila escravidão!
O pior uso que se pode fazer da liberdade
é abdicar dela!
A liberdade é o maior dos bens
e o fundamento de todos os outros!
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Miguel Torga, in 'Diário XII'
Liberdade
— Liberdade, que estais no céu...
Rezava o padre-nosso que sabia,
A pedir-te, humildemente,
O pio de cada dia.
Mas a tua bondade omnipotente
Nem me ouvia.
— Liberdade, que estais na terra...
E a minha voz crescia
De emoção.
Mas um silêncio triste sepultava
A fé que ressumava
Da oração.
Até que um dia, corajosamente,
Olhei noutro sentido, e pude, deslumbrado,
Saborear, enfim,
O pão da minha fome.
— Liberdade, que estais em mim,
Santificado seja o vosso nome.
Miguel Torga
quarta-feira, 3 de junho de 2009
«Trova do Vento que Passa»
Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.
Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.
Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.
Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
a o trevo de quatro folhas
que morro por meu país.
Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio -- é tudo o que tem
quem vive na servidão.
Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.
E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.
Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.
Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).
Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.
E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.
Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.
E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.
Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.
Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.
Manuel Alegre
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.
Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.
Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.
Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
a o trevo de quatro folhas
que morro por meu país.
Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio -- é tudo o que tem
quem vive na servidão.
Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.
E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.
Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.
Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).
Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.
E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.
Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.
E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.
Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.
Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.
Manuel Alegre
terça-feira, 2 de junho de 2009
Nada é impossível de mudar
Desconfiai do mais trivial,
na aparência singelo.
E examinai, sobretudo,
o que parece habitual.
Suplicamos expressamente:
não aceiteis o que é de hábito
como coisa natural,
pois em tempo de desordem sangrenta,
de confusão organizada,
de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada,
nada deve parecer natural
nada deve parecer impossível de mudar.
Bertol Brecht
segunda-feira, 1 de junho de 2009
...e aspiro unicamente à liberdade
Evolução
Fui rocha em tempo e fui no mundo antigo
tronco ou ramo na incógnita floresta...
Onda, espumei, quebrando-me na aresta
Do granito, antiquíssimo inimigo...
Rugi, fera talvez, buscando abrigo
Na caverna que ensombra urze e giesta;
O, monstro primitivo, ergui a testa
No limoso paúl, glauco pascigo...
Hoje sou homem, e na sombra enorme
Vejo, a meus pés, a escada multiforme,
Que desce, em espirais, da imensidade...
Interrogo o infinito e às vezes choro...
Mas estendendo as mãos no vácuo, adoro
E aspiro unicamente à liberdade.
1882, Antero de Quental in "Sonetos".Manuscrito original.
quinta-feira, 14 de maio de 2009
Compenedor
segunda-feira, 4 de maio de 2009
U.D.C.

União Desportiva de Chamusca
Fundada em 31 de Março de 1989
Tem estatuto de Associação de Utilidade Pública Desportiva
Morada: Avenida Almirante Gago Coutinho 2140-051 Chamusca
Morada: Avenida Almirante Gago Coutinho 2140-051 Chamusca
Telefone: 249 760 105 Fax: 249 760 105 :
Fundadores:
António Ildefonso Barreto
António José da Silva Campos
Joaquim José Duarte Garrido
João José Delgado Cardador
Custódio da Luz Aranha ( Falecido )
Manuel Jorge Gomes ( Falecido )
Eurico da Silva Gomes ( Falecido)
sexta-feira, 1 de maio de 2009
História do dia do trabalhador

No dia 1º de Maio de 1886, 500 mil trabalhadores saíram às ruas de Chicago, nos Estados Unidos, em manifestação pacífica, exigindo a redução da jornada para oito horas de trabalho. A polícia reprimiu a manifestação, dispersando a concentração, depois de ferir e matar dezenas de operários.
Mas os trabalhadores não se deixaram abater, todos achavam que eram demais as horas diárias de trabalho, por isso, no dia 5 de Maio de 1886, quatro dias depois da reivindicação de Chicago, os operários voltaram às ruas e foram novamente reprimidos: 8 líderes presos, 4 trabalhadores executados e 3 condenados a prisão perpétua. Foi este o resultado desta segunda manifestação.
A luta não parou e a solidariedade internacional pressionou o governo americano a anular o falso julgamento e a elaborar novo júri, em 1888. Os membros que constituíam o júri reconheceram a inocência dos trabalhadores, culparam o Estado americano e ordenaram que soltassem os 3 presos.
Em 1889 o Congresso Operário Internacional, reunido em Paris, decretou o 1º de Maio, como o Dia Internacional dos Trabalhadores, um dia de luto e de luta. E, em 1890, os trabalhadores americanos conquistaram a jornada de trabalho de oito horas.
116 anos depois das grandiosas manifestações dos operários de Chicago pela luta das oito horas de trabalho e da brutal repressão patronal e policial que se abateu sobre os manifestantes, o 1º de Maio mantém todo o seu significado e actualidade.
Nos Estados Unidos da América o Dia do Trabalhador celebra-se no dia 3 de Setembro e é conhecido por "Labor Day". É um feriado nacional que é sempre comemorado na primeira segunda-feira do mês de Setembro e está relacionado com o período das colheitas e com o fim do Verão.
No Canadá este feriado chama-se "Dia de Oito Horas". Tem este nome porque se comemora a vitória da redução do dia de trabalho para oito horas.
Na Europa o "Dia do Trabalhador" comemora-se sempre no dia 1 de Maio.
domingo, 26 de abril de 2009
Liberdade
Para se compreender a relação entre a liberdade e a responsabilidade é necessário, primeiro que tudo, conhecer o que significam estas liberdades e a sua integração no contexto filosófico.
A palavra liberdade tem uma origem latina (libertas) e significa independência. Etimologicamente, a palavra responsabilidade também vem do latim (respondere) e significa ser capaz de comprometer-se.
No senso comum, liberdade é uma palavra que pode ser definida em variados sentidos (liberdade física, liberdade civil, liberdade de expressão…). Filosoficamente, a liberdade, e mais concretamente a liberdade moral, diz respeito a uma capacidade humana para escolher ou decidir racionalmente quais os actos a praticar e praticá-los sem coacções extremas. É de carácter racional, pois os homens devem pensar nas causas e consequências dos seus actos e na sua forma e conteúdo. Esta liberdade não é absoluta, é condicionada e situada. Condicionada porque intervêm no seu exercício múltiplas condicionantes (físicas, psicológicas…). Situada porque se realiza dentro da circunstância, mundo, sociedade em que vivemos. Todas as nossas acções são fruto das circunstâncias e das nossas próprias características. É também uma liberdade solidária, porque cada um de nós só é livre com os outros, visto que não vivemos sozinhos no mundo. A liberdade humana (pode chamar-se assim porque é de carácter racional e, logo, exclusiva dos homens) reside em se poder dizer sim ou não, quero ou não quero. Nada nos obriga a ter apenas uma alternativa. O exercício da liberdade exige reflexão e, logo, tempo. Por isso, a reacção é diferente da acção, visto que a primeira é imediata face a um estímulo.
A responsabilidade moral é, por sua vez, uma capacidade, e ao mesmo tempo uma obrigação moral, de assumirmos os nossos actos. É reconhecermo-nos nos nossos actos, compreender que são eles que nos constroem e moldam como pessoas. A responsabilidade implica que sejamos responsáveis antes do acto (ao escolhermos e decidirmos racionalmente, conhecendo os motivos da nossa acção e ao tentar prever as consequências desta), durante o acto (na forma como actuamos) e depois do acto (no assumir das consequências que advêm dos actos praticados).
A liberdade e a responsabilidade estão tão ligadas na medida em que só somos realmente livres de formos responsáveis, e só podemos ser responsáveis se formos livres.
A responsabilidade implica uma escolha e decisão racional, o que vai de encontro à própria definição de liberdade.
Por outro lado, se não agirmos livremente, não podemos assumir totalmente as consequências dos nossos actos, visto que as circunstâncias atenuantes seriam muito fortes. Só o sujeito que é capaz de escolher e decidir racionalmente, com consciência, é capaz de assumir as causas e as consequências da sua acção.
Além disso, a liberdade e a responsabilidade são parâmetros essenciais na construção de um indivíduo como pessoa, visto que é através da liberdade e da responsabilidade que um sujeito é capaz de se tornar efectivamente autónomo.
Patrícia Silva- S. Miguel Açores
sábado, 25 de abril de 2009
Exílio no meu país
Venho dizer-vos que não tenho medo
A verdade é mais forte que as algemas.
Venho dizer-vos que não há degredo
Quando se traz a alma cheia de poemas.
Em qualquer parte estou presente
Todo o navio da canção
E vou direito ao coração de toda a gente.
Venho dizer-vos que não tenho medo
A verdade é mais forte que as algemas.
Venho dizer-vos que não há degredo
Quando se traz a alma cheia de poemas.
Venho dizer-vos que não tenho medo.
Adriano Correia De Oliveira - Exílio Luís Cília E Manuel Alegre
A verdade é mais forte que as algemas.
Venho dizer-vos que não há degredo
Quando se traz a alma cheia de poemas.
Em qualquer parte estou presente
Todo o navio da canção
E vou direito ao coração de toda a gente.
Venho dizer-vos que não tenho medo
A verdade é mais forte que as algemas.
Venho dizer-vos que não há degredo
Quando se traz a alma cheia de poemas.
Venho dizer-vos que não tenho medo.
Adriano Correia De Oliveira - Exílio Luís Cília E Manuel Alegre
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