sexta-feira, 30 de maio de 2008

Aconteceu-me do Alto do Infinito

Aconteceu-me do alto do infinito
Esta vida.
Através de nevoeiros,
Do meu próprio ermo ser fumos primeiros,
Vim ganhando, e través estranhos ritos
De sombra e luz ocasional, e gritos

Vagos ao longe, e assomos passageiros
De saudade incógnita, luzeiros
De divino, este ser fosco e proscrito...
Caiu chuva em passados que fui eu.

Houve planícies de céu baixo e neve
Nalguma cousa de alma do que é meu.
Narrei-me à sombra e não me achei sentido.

Hoje sei-me o deserto onde Deus teve
Outrora a sua capital de olvido...

Fernando Pessoa

terça-feira, 29 de abril de 2008

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Trova do Vento que Passa




Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraçao
vento nada me diz.

Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das água
se os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.

Levam sonhos deixam mágoa
sai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.

Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio é tudo o que tem
quem vive na servidão.

Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.

E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.

Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.

Vi navios a partir

(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir

(verdes folhas verdes mágoas).
Há quem te queira ignorada

e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificadanos braços negros da fome.

E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.

Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.

E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

poema de Manuel Alegre
imagen de Antonio Almeida Felizes

segunda-feira, 14 de abril de 2008

A Europa, obra de paz


A Europa, obra de paz e de reconciliação, nunca tentou afirmar a sua posição no mundo, depois da segunda Guerra Mundial, a não ser através da exemplaridade dos seus sistemas de arbitragem.
À medida que o seu peso económico e comercial foi crescendo, a União Europeia passou a ser solicitada no sentido de desempenhar o seu papel de potência mediadora e de força de equilíbrio no mundo.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

11 de Abril de 1918, La Lys - 90 Anos depois


Batalha de La Lys, cemitério de Richebourg em França



quinta-feira, 10 de abril de 2008

Ai se mestre Gil, cá viesse

A formiga no carreiro
Vinha em sentido cantrário
Caiu ao Tejo
Ao pé dum septuagenário
Larpou trepou às tábuas
Que flutuavam nas àguas
E de cima duma delas
Virou-se prò formigueiro
Mudem de rumo
Já lá vem outro carreiro
A formiga no carreiro
Vinha em sentido diferente
Caiu à rua
No meio de toda a gente
Buliu buliu abriu as gâmbias
Para trepar às varandas
E de cima duma delas
Virou-se prò formigueiro
Mudem de rumo
Já lá vem outro carreiro
A formiga no carreiro
Andava a roda da vida
Caiu em cima
Duma espinhela caída
Furou furou à brava
Numa cova que ali estava
E de cima duma delas
Virou-se prò formigueiro
Mudem de rumo
Já lá vem outro carreiro

Poema de Zeca Afonso

domingo, 6 de abril de 2008

Vergonha


O último relatório da ONU diz que 2% da população do mundo detém 50% da riqueza do planeta TERRA.


"Aquele que não conhece a verdade é simplesmente um ignorante, mas aquele que a conhece e diz que é mentira, este é um criminoso"
Bertold Brecht

terça-feira, 1 de abril de 2008

quinta-feira, 27 de março de 2008

john wolf


O Livro " Portugal Traduzido" será sem dúvida um livro de excelência que a as Edições Cosmos, apresentarão no dia 9 de maio de 2008 às 21 horas, na Tertúlia " Poiso do Besouro" na Chamusca.
Acção critica ao nosso país visto por um Norte Americano radicado no nosso país à mais de uma década.
Sessão de apresentação a não perder

terça-feira, 25 de março de 2008

Congresso Internacional Romance Antigo

Marília P. Futre Pinheiro

Chair of the Organizing Committee of ICAN IV - International Conference on the Ancient Novel that will be held from 21 to 26 July 2008 in Lisbon, Portugal


Marília P. Futre Pinheiro - Edições Cosmos,
Editor-in-chief, "Labirintos de Eros"
(Portuguese translations of the Ancient Greek Novels), Lisboa.

terça-feira, 18 de março de 2008

A passagem





A Velhice é isto:


ou se chora sem motivo,


ou os olhos ficam secos de lucidez.




Miguel Torga

segunda-feira, 17 de março de 2008

Liberdade




Liberdade
Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...
Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...



Fernando Pessoa

domingo, 16 de março de 2008

PALAVRAS DO REI SALOMÃO


Existe um tempo próprio para tudo,

E há uma época para cada coisa debaixo do céu:
Um tempo para nascer e um tempo para morrer;

Um tempo para plantar e um tempo para colher o que se semeou;
Um tempo para matar, um tempo para curar as feridas;

Um tempo para destruir e outro para reconstruir;
Um tempo para chorar e um tempo para rir;

Um tempo para se lamentar e outro para dançar de alegria;
Um tempo para espalhar pedras, um tempo para juntá-las;

Um tempo para abraçar, e um tempo para afastar-se;
Um tempo para procurar e outro para perder;

Um tempo para armazenar e um para distribuir;
Um tempo para rasgar e outro para coser;

Um tempo para estar calado e outro tempo para falar;
Um tempo para amar, e um tempo para odiar;

Um tempo para a guerra, e um tempo para a paz.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Versos escritos n’água

Os poucos versos que aí vão,
Em lugar de outros é que os ponho.
Tu que me lês, deixo ao teu sonho
Imaginar como serão.
Neles porás tua tristeza
Ou bem teu júbilo, e, talvez,
Lhes acharás, tu que me lês,
Alguma sombra de beleza...
Quem os ouviu não os amou.
Meus pobres versos comovidos!
Por isso fiquem esquecidos
Onde o mau vento os atirou.


Dorival Caymmi

terça-feira, 11 de março de 2008

Fascinação



Os sonhos mais lindos sonhei
De quimeras mil um castelo ergui
E no teu olhar
Tonto de emoção
Com sofreguidão
Mil venturas previ
O teu corpo é luz, sedução
Poema divino cheio de esplendor
Teu sorriso prende, inebria, entontece
És fascinação, amor

F.d. Marchetti - M. De Feraudy - Armando Louzada

domingo, 9 de março de 2008

Beleza, solidão e morte


Esta fotografia de John Moore, da Getty Images, apareceu na capa do New York Times no Memorial Day – dia que os americanos dedicam a lembrar os entes queridos que morreram em combate. Tirou-a na secção 60 do Arlington National Cemetery a 27 de Maio deste ano. Esta é uma secção do cemitério preenchida apenas pelas campas dos que tombaram no Iraque e no Afeganistão.A rapariga da foto chama-se Mary MacHugh e encontrava-se junto à campa do noivo, o sargento James J. Regan, 26 anos, morto a 9 de Fevereiro quando um engenho explosivo detonou perto do carro-patrulha em que seguia, algures numa estrada no norte do Iraque.John Moore, o fotógrafo, esteve durante mais de cinco anos em zonas de combate, tanto no Iraque como no Afeganistão. «Vi o pior que alguém pode ver: o ódio, a raiva, a desolação e o desespero, muitas mortes, tanta destruição» e, por fim, referindo-se a esta foto, «uma jovem rapariga chorando o seu amor perdido para sempre».A foto correu mundo: capta muito bem a dor da perda, a destruição dos sonhos e dos planos de uma jovem pela infame estupidez da guerra. A forma como ela se encontra sozinha no cemitério, rodeada de dezenas de tumbas de mármore, lembra-nos a solidão que todos os seres vivos devem sentir perante a morte. Descalçou os sapatos, deitando-se sobre a campa do noivo como se o quisesse abraçar – é um momento muito íntimo.Há quem considere que o sucesso desta fotografia tem a ver com a sua carga erótica. Jerry Monaco, uma das estrelas do Live Journal, descreve no seu blogue o poder de manipulação desta imagem: «Se em vez de uma jovem bonita, o fotógrafo tivesse captado uma mãe gorda de meia-idade deitada com os pés descalços chorando a perda do filho, a foto não teria metade do impacto e provavelmente nem sequer chegaria à capa do New York Times». Monaco considera esta foto um exemplo do que chama «luto sexualizado». Explica que a foto segue a tendência de um certo tipo de arte do século passado (pinturas e esculturas) nas quais nos é apresentada uma ligação entre morte e beleza.Haverá realmente uma carga sexual neste foto? Digam de vossa justiça. Não lhe vemos a cara, é verdade – o que significa que é a nossa imaginação que se encarrega de lhe dar um rosto. Temos então uma mulher jovem, elegante, frágil, exposta. Não inspirará um certo tipo de ternura lânguida?

sábado, 8 de março de 2008

Garrido Publicidade





A organização agradece a participação de todos os atletas presentes e a colaboração do União Desportiva de Chamusca, das Câmaras Municipais da Chamusca e de Abrantes, dos Bombeiros Municipais de Abrantes, do Restaurante/esplanada See You, do Restaurante o Poizo do Bezouro, da Gráfica Garrido Publicidade e a colaboração do Armando Malaquias, Pinto e Carlos Manso
Fotos Pedro Quintela

sexta-feira, 7 de março de 2008

Para ser grande, sê inteiro


Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa.

Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive



Poema de Ricardo Reis
Foto " Paz no Vietnam "