domingo, 9 de março de 2008

Beleza, solidão e morte


Esta fotografia de John Moore, da Getty Images, apareceu na capa do New York Times no Memorial Day – dia que os americanos dedicam a lembrar os entes queridos que morreram em combate. Tirou-a na secção 60 do Arlington National Cemetery a 27 de Maio deste ano. Esta é uma secção do cemitério preenchida apenas pelas campas dos que tombaram no Iraque e no Afeganistão.A rapariga da foto chama-se Mary MacHugh e encontrava-se junto à campa do noivo, o sargento James J. Regan, 26 anos, morto a 9 de Fevereiro quando um engenho explosivo detonou perto do carro-patrulha em que seguia, algures numa estrada no norte do Iraque.John Moore, o fotógrafo, esteve durante mais de cinco anos em zonas de combate, tanto no Iraque como no Afeganistão. «Vi o pior que alguém pode ver: o ódio, a raiva, a desolação e o desespero, muitas mortes, tanta destruição» e, por fim, referindo-se a esta foto, «uma jovem rapariga chorando o seu amor perdido para sempre».A foto correu mundo: capta muito bem a dor da perda, a destruição dos sonhos e dos planos de uma jovem pela infame estupidez da guerra. A forma como ela se encontra sozinha no cemitério, rodeada de dezenas de tumbas de mármore, lembra-nos a solidão que todos os seres vivos devem sentir perante a morte. Descalçou os sapatos, deitando-se sobre a campa do noivo como se o quisesse abraçar – é um momento muito íntimo.Há quem considere que o sucesso desta fotografia tem a ver com a sua carga erótica. Jerry Monaco, uma das estrelas do Live Journal, descreve no seu blogue o poder de manipulação desta imagem: «Se em vez de uma jovem bonita, o fotógrafo tivesse captado uma mãe gorda de meia-idade deitada com os pés descalços chorando a perda do filho, a foto não teria metade do impacto e provavelmente nem sequer chegaria à capa do New York Times». Monaco considera esta foto um exemplo do que chama «luto sexualizado». Explica que a foto segue a tendência de um certo tipo de arte do século passado (pinturas e esculturas) nas quais nos é apresentada uma ligação entre morte e beleza.Haverá realmente uma carga sexual neste foto? Digam de vossa justiça. Não lhe vemos a cara, é verdade – o que significa que é a nossa imaginação que se encarrega de lhe dar um rosto. Temos então uma mulher jovem, elegante, frágil, exposta. Não inspirará um certo tipo de ternura lânguida?

sábado, 8 de março de 2008

Garrido Publicidade





A organização agradece a participação de todos os atletas presentes e a colaboração do União Desportiva de Chamusca, das Câmaras Municipais da Chamusca e de Abrantes, dos Bombeiros Municipais de Abrantes, do Restaurante/esplanada See You, do Restaurante o Poizo do Bezouro, da Gráfica Garrido Publicidade e a colaboração do Armando Malaquias, Pinto e Carlos Manso
Fotos Pedro Quintela

sexta-feira, 7 de março de 2008

Para ser grande, sê inteiro


Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa.

Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive



Poema de Ricardo Reis
Foto " Paz no Vietnam "

quinta-feira, 6 de março de 2008

Se, depois de eu morrer...

Se, depois de eu morrer,
quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas ...a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra todos os dias são meus.
Sou fácil de definir.
Vi como um danado.
Amei as coisas sem sentimentalidade nenhuma.
Nunca tive um desejo que não pudesse realizar, porque nunca ceguei.
Mesmo ouvir nunca foi para mim senão um acompanhamento de ver.
Compreendi que as coisas são reais e todas diferentes umas das outras;
Compreendi isto com os olhos, nunca com o pensamento.
Compreender isto com o pensamento seria achá-las todas iguais.
Um dia deu-me o sono como a qualquer criança.
Fechei os olhos e dormi.
Além disso fui o único poeta da Natureza.


Alberto Caeiro

quarta-feira, 5 de março de 2008


Discurso de Martin Luther King , em 28 de Agosto de 1963.Audio-Linkamericanrhetoric (Podem ler este post e ouvir o discurso de Martin Luther King)"Eu estou contente em unir-me com vocês no dia que entrará para a história como a maior demonstração pela liberdade na história de nossa nação. Cem anos atrás, um grande americano, na qual estamos sob sua simbólica sombra, assinou a Proclamação de Emancipação. Esse importante decreto veio como um grande farol de esperança para milhões de escravos negros que tinham murchados nas chamas da injustiça. Ele veio como uma alvorada para terminar a longa noite de seus cativeiros. Mas cem anos depois, o Negro ainda não é livre. Cem anos depois, a vida do Negro ainda é tristemente inválida pelas algemas da segregação e as cadeias de discriminação. Cem anos depois, o Negro vive numa ilha só de pobreza no meio de um vasto oceano de prosperidade material. Cem anos depois, o Negro ainda adoece nos cantos da sociedade americana e encontram-se exilados na sua própria terra.Assim, nós viemos aqui hoje para dramatizar a sua vergonhosa condição.De certo modo, nós viemos à capital de nossa nação para trocar um cheque. Quando os arquitectos de nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e a Declaração da Independência, eles estavam assinando uma nota promissória para a qual todo americano seria seu herdeiro. Esta nota era uma promessa que todos os homens, sim, os homens negros, como também os homens brancos, teriam garantidos os direitos inalienáveis de vida, liberdade e a busca da felicidade. Hoje é óbvio que aquela América não apresentou esta nota promissória. Em vez de honrar esta obrigação sagrada, a América deu para o povo negro um cheque sem fundo, um cheque que voltou marcado com "fundos insuficientes".Mas nós nos recusamos a acreditar que o banco da justiça é falível. Nós nos recusamos a acreditar que há capitais insuficientes de oportunidade nesta nação. Assim nós viemos trocar este cheque, um cheque que nos dará o direito de reclamar as riquezas de liberdade e a segurança da justiça. Nós também viemos para recordar à América dessa cruel urgência. Este não é o momento para descansar no luxo refrescante. Agora é o tempo para transformar em realidade as promessas de democracia. Agora é o tempo para subir do vale das trevas da segregação ao caminho iluminado pelo sol da justiça racial. Agora é o tempo para erguer nossa nação das areias movediças da injustiça racial para a pedra sólida da fraternidade. Agora é o tempo para fazer da justiça uma realidade para todos os filhos de Deus. Seria fatal para a nação negligenciar a urgência desse momento. Este Verão sufocante do legítimo descontentamento dos Negros não passará até termos um renovador Outono de liberdade e igualdade. Este ano de 1963 não é um fim, mas um começo. Esses que esperam que o Negro agora estará contente, terão um violento despertar se a nação votar aos negócios de sempre.Mas há algo que eu tenho que dizer ao meu povo que se dirige ao portal que conduz ao palácio da justiça. No processo de conquistar nosso legítimo direito, nós não devemos ser culpados de acções de injustiças. Não vamos satisfazer a nossa sede de liberdade bebendo da chávena da amargura e do ódio. Nós sempre temos que conduzir a nossa luta num alto nível de dignidade e disciplina. Nós não devemos permitir que nosso criativo protesto se degenere em violência física. Novamente e novamente nós temos que subir às majestosas alturas da reunião da força física com a força de alma. Nossa nova e maravilhosa combatividade mostrou à comunidade negra que não devemos ter uma desconfiança para com todas as pessoas brancas, para muitos de nossos irmãos brancos, como comprovamos pela presença deles aqui hoje, vieram entender que o destino deles é amarrado ao nosso destino. Eles vieram perceber que a liberdade deles é ligada indissoluvelmente à nossa liberdade. Nós não podemos caminhar só.E como nós caminhamos, nós temos que fazer a promessa que nós sempre marcharemos à frente. Nós não podemos retroceder. Há esses que estão perguntando para os devotos dos direitos civis, "Quando vocês estarão satisfeitos?"Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto o Negro for vítima dos horrores indizíveis da brutalidade policial. Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto nossos corpos, pesados com a fadiga da viagem, não poderem ter hospedagem nos motéis das estradas e os hotéis das cidades. Nós não estaremos satisfeitos enquanto um Negro não puder votar no Mississipi e um Negro em Nova Iorque acreditar que ele não tem motivo para votar. Não, não, nós não estamos satisfeitos e nós não estaremos satisfeitos até que a justiça e a rectidão rolem abaixo como águas de uma poderosa corrente.Eu não esqueci que alguns de você vieram até aqui após grandes testes e sofrimentos. Alguns de você vieram recentemente de celas estreitas das prisões. Alguns de vocês vieram de áreas onde sua busca pela liberdade lhe deixaram marcas pelas tempestades das perseguições e pelos ventos de brutalidade policial. Você são o veteranos do sofrimento. Continuem trabalhando com a fé que sofrimento imerecido é redentor. Voltem para o Mississippi, voltem para o Alabama, voltem para a Carolina do Sul, voltem para a Geórgia, voltem para Louisiana, voltem para as ruas sujas e guetos de nossas cidades do norte, sabendo que de alguma maneira esta situação pode e será mudada. Não se deixe caiar no vale de desespero.Eu digo a vocês hoje, meus amigos, que embora nós enfrentemos as dificuldades de hoje e amanhã. Eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano.Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença - nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais.Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos descendentes dos donos de escravos poderão se sentar junto à mesa da fraternidade.Eu tenho um sonho que um dia, até mesmo no estado de Mississippi, um estado que transpira com o calor da injustiça, que transpira com o calor de opressão, será transformado em um oásis de liberdade e justiça.Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Eu tenho um sonho hoje!Eu tenho um sonho que um dia, no Alabama, com seus racistas malignos, com seu governador que tem os lábios gotejando palavras de intervenção e negação; nesse justo dia no Alabama meninos negros e meninas negras poderão unir as mãos com meninos brancos e meninas brancas como irmãs e irmãos.Eu tenho um sonho hoje!Eu tenho um sonho que um dia todo vale será exaltado, e todas as colinas e montanhas virão abaixo, os lugares ásperos serão aplainados e os lugares tortuosos serão endireitados e a glória do Senhor será revelada e toda a carne estará junta.Esta é nossa esperança. Esta é a fé com que regressarei para o Sul. Com esta fé nós poderemos cortar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé nós poderemos transformar as discórdias estridentes de nossa nação em uma bela sinfonia de fraternidade. Com esta fé nós poderemos trabalhar juntos, rezar juntos, lutar juntos, ir presos juntos, defender liberdade juntos, e quem sabe nós seremos um dia livre. Este será o dia, este será o dia quando todas as crianças de Deus poderão cantar com um novo significado.Meu país, doce terra de liberdade, eu te canto. Terra onde meus pais morreram, terra do orgulho dos peregrinos, De qualquer lado da montanha, ouço o sino da liberdade!"E se a América é uma grande nação, isto tem que se tornar verdadeiro. E assim ouvirei o sino da liberdade no extraordinário topo da montanha de New Hampshire. Ouvirei o sino da liberdade nas poderosas montanhas de Nova York. Ouvirei o sino da liberdade nos Engrandecidos Alleghenies da Pennsylvania. Ouvirei o sino da liberdade nas montanhas cobertas de neve Rocky do Colorado. Ouvirei o sino da liberdade nas ladeiras curvas da Califórnia.Mas não é só isso. Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Pedra da Geórgia. Ouvirei o sino da liberdade nas Montanhas do Tennessee. Ouvirei o sino da liberdade em todas as colinas do Mississipi. Em todas as montanhas, ouviu o sino da liberdade.E quando isto acontecer, quando nós permitimos o sino da liberdade soar, quando nós deixarmos ele soar em toda moradia e todo vilarejo, em todo estado e em toda cidade, nós poderemos acelerar aquele dia quando todas as crianças de Deus, homens pretos e homens brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão unir mãos e cantar nas palavras do velho espírito negro:Livre afinal, livre afinal.Agradeço ao Deus todo-poderoso, nós somos livres afinal."

terça-feira, 4 de março de 2008

Declaração Universal dos Direitos Humanos

Foi no dia 10 de Dezembro de 1948, que a Assembleia Geral das Nações Unidas, reunida em Paris aprovou a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Também, neste dia mas em 1984 a Assembleia Geral da ONU, adoptou a Convenção das Nações Unidas, proibindo a tortura. No dia em que estes direitos deixarem de ser violados, a Humanidade dará um salto sem precedentes em toda a nossa História. Nunca é demais divulgar a Declaração Universal dos Direitos Humanos
Artigo 1º.Liberdade e igualdade de todos os seres humanos.
Artigo 2º.Não discriminação.
Artigo 3º.Direito à vida.
Artigo4º.Poibição de escravatura.
Artigo 5º.Proibição de tortura.
Artigo 6º.Direito à personalidade jurídica.
Artigo 7º.Igualdade perante a lei.
Artigo8º.Direito a recurso efectivo perante jurisdições nacionais.
Artigo 9º.Proibição de prisão, detenção ou exílio arbitrários.
Artigo 10º.Direito a ser julgado num tribunal independente.
Artigo 11º. nº1:Presunção de inocência até prova em contrário.
nº2:Não retroactividade da lei penal.
Artigo 12º.Direito à vida privada, familiar e protecção de correspondência.
Artigo 13º. nº1:Liberdade de circulação.
nº2:Direito de sair e entrar em qualquer país.
Artigo 14º.Direito de requerer e receber asilo.
Artigo 15º.Direito à nacionalidade.Artigo 16º.Direito de se casar e constituir família.Artigo 17º. nº1:Direito de propiedade.
nº2:Proibição da privação arbitrária da propiedade.
Artigo 18º.Liberdade de pensamento,consciência e religião.
Artigo 19º.Liberdade de expressão e opinião.
Artigo 20º.Liberdade de reunião e associação.
Artigo 21º. nº1:Direito de participação nos assuntos públicos do seu país.
nº2:Igualdade de acesso a funções de natureza pública no seu país.
nº3:Direito a sufrágio directo e universal e direito ao voto secreto.
Artigo 22º.Direito à segurança social.
Artigo 23º. nº1:Direito ao trabalho.
nº2:Direito a salário igual para trabalho igual.
nº3:Direito a remuneração suficiente.
nº4:Direito à constituição e filiação em sindicatos.
Artigo 24º.Direito a lazer,repouso e tempos livres.
Artigo 25º. nº1:Direito a um nível de vida suficiente.
nº2:Protecção especial da maternidade e infância.
Artigo 26º. nº1:Direito à educação,princípios da gratuitidade e obrigatoriedade do ensino Básico, acesso generalizado ao ensino técnico e profissional e igualdade de acesso ao ensino superior.
nº2:A educaçao deve favorecer o desenvolvimento da personalidade,tolerância, compreensão mútua e amizade entre os povos.
nº3:Direito dos pais escolherem a educação a dar aos seus filhos.
Artigo 27º. nº1:Direito de participar na vida cultural e de gozar os frutos do progresso científico.nº2:Protecção dos direitos de autor.
Artigo 28º.Direito a que existam condições permitindo a plena aplicação dos direitos enunciados na Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Artigo 29º. nº1:Princípio de que o indivíduo tem deveres para com a comunidade.
nº2:As únicas limitações ao exercício dos direitos devem ser previstas por lei,com vista a satisfazer exigências da moral,de ordem pública e de bem-estar geral.
nº3:Os direitos da Declaração Universal dos Direitos Humanos não podem ser exercidos contrariamente aos fins e princípios da Carta das Nações Unidas.
Artigo 30º.Nenhuma interpretação da Declaração Universal dos Direitos Humanos pode ligitimar actividades que visem a aniquilação dos direitos e liberdades nela consagrados.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Auschwitz


O avanço dos Aliados em duas frentes, ocidental e oriental e o colapso da economia do Reich parecem ter enlouquecido ainda mais os líderes nazis. O extermínio converteu-se nas palavras do próprio Himmler, numa "necessidade imperiosa, nos numerosos campos de concentração. Os métodos usados até então eram baseados no pressuposto de que o terror era a melhor forma de negar a personalidade do individuo e de o manipular.
A partir de então com os campos em risco de cair em mãos inimigas, a morte quantitativa substitui o principio do castigo.Mais do que castigar urgia exterminar.Em 27 de Janeiro de 1945, ( entretanto institucionalizado Dia da Memória em diversos países ocidentais) o exército soviético liberta o campo da morte e encontra perto de três mil homens e mulheres escanzelados, pesando entre 23 e 35 kg.Auschwitz, símbolo do Mal para todos os homens de boa vontade, têm suscitado as mais diversas paixões desde da sua libertação.
Sectores da extrema-direita pretenderam lançar o boato de que a "solução final nunca existiu".Os soviéticos ofereceram-lhes, aliás, o pretexto de bandeja, ao propagandearem que em Auschwitz tinham sido mortos "quatro milhões de antifascistas", ou seja mais que duplicaram o número e omitindo o facto de 90 por cento das vítimas serem judeus apolíticos.
É bom para a Humanidade que o complexo de Auschwitz-Birkenau , permaneça de pé.
Não como um exorcismo. Não como um símbolo do mal.
Antes como um inestimável suporte para a breve memória humana.
Para que não volte a repetir-se.

domingo, 2 de março de 2008

Objectivos da União Européia


Promover a unidade política e económica da Europa;
Melhorar as condições de vida e de trabalho dos cidadãos europeus;
Melhorar as condições de livre comércio entre os países membros;
Reduzir as desigualdades sociais e económicas entre as regiões;
Fomentar o desenvolvimento económico dos países em fase de crescimento;
Proporcionar um ambiente de paz, harmonia e equilíbrio na Europa.

sábado, 1 de março de 2008

Cada um


Cada um cumpre o destino que lhe cumpre,
E deseja o destino que deseja;
Nem cumpre o que deseja,
Nem deseja o que cumpre.


Como as pedras na orla dos canteiros
O Fado nos dispõe, e ali ficamos;
Que a Sorte nos fez postos
Onde houvemos de sê-lo.

Não tenhamos melhor conhecimento
Do que nos coube que de que nos coube.
Cumpramos o que somos.
Nada mais nos é dado.


Poema Ricardo Reis
Óleo de Polo Gibert

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Alegria, Alegria

Caminhando contra o vento
Sem lenço e sem documento
No sol de quase dezembro
Eu vou…
O sol se reparte em crimes
Espaçonaves, guerrilhas
Em cardinales bonitas
Eu vou…
Em caras de presidentes
Em grandes beijos de amor
Em dentes, pernas, bandeiras
Bomba e Brigitte Bardot…
O sol nas bancas de revista
Me enche de alegria e preguiça
Quem lê tanta notícia
Eu vou…
Por entre fotos e nomes
Os olhos cheios de cores
O peito cheio de amores vãos
Eu vou
Por que não, por que não…
Ela pensa em casamento
E eu nunca mais fui à escola
Sem lenço e sem documento,
Eu vou…
Eu tomo uma coca-cola
Ela pensa em casamento
E uma canção me consola
Eu vou…
Por entre fotos e nomes
Sem livros e sem fuzil
Sem fome, sem telefone
No coração do Brasil…
Ela nem sabe até pensei
Em cantar na televisão
O sol é tão bonito
Eu vou…
Sem lenço, sem documento
Nada no bolso ou nas mãos
Eu quero seguir vivendo, amor
Eu vou…
Por que não, por que não…
Por que não, por que não…
Por que não, por que não…
Por que não, por que não…

Caetano Veloso

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Fernando Pessoa


"Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.
A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.
Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.
Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode dizer-te.
A resposta está além dos deuses.
Mas serenamente imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam."

"Ricardo Reis, 1-7-1916

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Poema de Fernando Pessoa:

"O que há em mim é sobretudo cansaço

-Não disto nem daquilo,

Nem sequer de tudo ou de nada

- Cansaço assim mesmo, ele mesmo,

Cansaço.

A subtileza das sensações inuteis

As paixões violentas por coisa nenhuma,

Os amores intensos por o suposto em alguém,

Essas coisas todas

- Essas e o que falta nelas eternamente

-;Tudo isso faz um cansaço,

Este cansaço,Cansaço."

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Emoções


Quando eu estou aqui,
Eu vivo esse momento lindo
Olhando pra você
E as mesmas emoções sentindo

São tantas já vividas
São momentos que eu não esqueci
Detalhes de uma vida
Histórias que eu contei aqui

Amigos eu ganhei
Saudades eu senti, partindo
E às vezes eu deixei
Você me ver chorar, sorrindo

Sei tudo que o amor
É capaz de me dar
Eu sei já sofri
Mas não deixo de amar

Se chorei
Ou se sorri
O importante
É que emoções eu vivi

São tantas já vividas
São momentos que eu não esqueci
Detalhes de uma vida
Histórias que eu contei aqui

Mas eu estou aqui
Vivendo esse momento lindo
De frente pra você
E as emoções se repetindo

Em paz com a vida
E o que ela me traz
Na fé que me faz
Optimista demais

Se chorei
Ou se sorri
O importante
É que emoções eu vivi

Se chorei
Ou se sorri
O importante
É que emoções eu vivi


Roberto Carlos - Erasmo Carlos
Fotografia de Andreas H. Bitesnich

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Tratado de Lisboa

O Lançamento do livro "O Tratado de Lisboa" de autoria de Assunção Esteves e de Noémia Pizarro,
é já no próximo S´sbado 23 de Fevereiro às 18 horas na Fnac-Colombo em Lisboa

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Portugal ????




Qual a origem da palavra portugal?


E da nossa Língua Portuguesa?


Como se diz portugal noutras línguas?


Qual é a história da laranja?


Porque é que é que somos o País das Laranjas?


E que ligação tem a palavra portugal com a palavra laranja?



Já alguma vez se questionaram sobre a origem da palavra Portugal? Para quem souber um pouco da história do nosso país deve saber também que a palavra portugal, que surge no séc X, tem origem no latim portucale cuja origem remota ao séc. V.Mas e Portucale, donde vem? Qual o seu significado? Pois bem, dividindo a palavra Portucale temos Portus Cale que significa o Porto de Cale, sendo Cale um povoado, do que hoje sabemos ser a cidade do Porto, mais propriamente (aparentemente) situado junto a Sé Catedral. Mais tarde (séc VII), para evitar confusões entre cidade e reino, dá-se a simplificação do nome da cidade para Portus (Porto). Por sua vez Cale (mais tarde Gal) vem a palavra Calécia (Gallaecia - hoje Galiza). A palavra Cale esteve, e está, muito presente na geografia europeia, especialmente em áreas onde previve um substrato linguístico celta, daí denominações como Gália, Gales, Calais, Galatia, Gaia, Galiza ou PortuGal.
E que significa Cale? Aqui as opiniões dividem-se. Uma das teorias mais consistente afirma que Cale tem origem na Deusa mãe dos Celtas Cal-leach, pois segundo o autor[1], era um custume romano da altura nomear os povos conquistados com a denominação dos seus deuses. Uma outra análise do radical Cale no âmbito das línguas célticas associa a palavra a significados como “pedra”, “rochedo” ou “duro”, como alusão às características geológicas da cidade. Há ainda quem defende que Cale tem origem no vocábulo pré-indo-europeu Kala que significa “terra”, “montanha”.
Então e a nossa querida língua, a Língua Portuguesa? A língua portuguesa tem origem indo-europeia, família linguística que engloba a maioria das línguas europeias, actuais e antigas, e o termo indo-europeu[2] corresponde a uma região geográfica que vai da Europa e Irão até a Índia setentrional; são cerca de 450 línguas faladas actualmente por 3 mil milhões de pessoas. A língua portuguesa é ainda, dentro da família indo-europeia, uma língua românica assim como o castelhano, catalão, italiano, francês, romeno entre outros; e, como todos sabemos, desenvolveu-se do Latim falado, trazido pelos romanos no séc III a.C.. No entanto, a Língua Portuguesa apenas passou a ter estatuto oficial em 1290 quando o rei D. Dinis o decretou.O português é primeira língua em Angola, Brasil, Portugal, São Tomé e Príncipe. E é a língua mais usada em Moçambique. A língua portuguesa é também a língua oficial de Cabo Verde e uma das línguas oficiais de Timor-Leste (com o tétum) e Macau (com o chinês). É bastante falado, mas não oficial, em Andorra, Luxemburgo, Namíbia e Paraguai.[2]Aquando da invasão dos árabes da península, o Árabe tornou-se a língua oficial de admnistração das áreas conquistadas. Embora a influência árabe não tenha sido muito relevante, foram introduzidas milhares de palavras que ainda hoje usamos.
E o que significa a palavra portugal noutras línguas? Bem, como todos já sabemos em inglês, francês, espanhol, neerlandês, sueco e alemão (entre outros) “diz-se” Portugal, em italiano “diz-se” Portugallo, em polski (polaco) “diz-se Portugalia, e no Vietnam “diz-se” Cộng hòa Bồ Đào Nha. Nestas línguas Portugal um significado: o nome do país Portugal como é óbvio. Até aqui nada de novo por isso, então vou-vos contar um pouco sobre a história da laranja, o fruto.
A laranja é um fruto da família dos citrinos, produzido pela laranjeira, que foi criado na antiguidade através do cruzamento da tangerina com o pomelo. É uma fruta originária do sudeste asiático, de países como a Índia, Malásia ou o Vietnam e hoje em dia a laranja é um importante negócio para os país do mediterrâneo, assim como em algumas partes do globo como na américa ou no sul de áfrica, etc., sendo que o maior produtor é actualmente o Brasil com uma produção anual a rondar os 18 milhões de toneladas.
Voltando um pouco atrás no tempo… no séc XVI, os portugueses “trouxeram” a laranja para portugal e, assim foram os portugueses que a introduziram na Europa. Não é toa que em alguns casos deparamo-nos com o rótulo: Portugal, o país das laranjas! Por este motivo, e por incrível que pareça, hoje em dia as laranjas são denominadas portuguesas em alguns países europeus! Sim, é no mínimo engraçado. Ora vejamos: em romeno laranja diz-se portocálâ, em búlgaro portokal’, em grego portokáli e em turco portokal. Mas esta associação não se fica pelas línguas europeis.Em farsi (persa), língua oficial de países como o Irão ou o Afeganistão e falado em países como a Arménia, a Geórgia ou o Iraque, a palavra portugal (em farsi: پرتغال - lê-se: porteqal) significa laranja!Em árabe, uma língua falada em cerca de 20 países (países como o Egipto, Líbia, Síria, Argélia, Arábia Saudita, etc.), com aproximadamente 280 milhões de falantes[2] (em todas as suas derivações), a palavra portugal (em árabe: برتقال - lê-se: bortuqal ou burtuqálum) designa também o fruto laranja.
O testemunho de um português numa passagem pelo Irão[3]:“[…] Passeport?, where do you come from?, Portugal!, Orange country!, finalmente soubemos a razão porque quando parávamos e nos perguntavam de onde éramos, respondiam sempre “orange country”, e riam-se. […] A partir deste dia quando nos perguntavam de onde éramos, respondíamos em primeiro lugar: Orange Country e riamos também, depois Portugal era uma gargalhada geral. […]”
Como vemos, a nossa cultura, a nossa língua, a nossa história está recheada de curiosidades. Estas são apenas algumas delas! Portugal é, ao contrário do que muitos fazem questão de negar, um país com uma origem vem diversificada e com várias influências que foram moldando a nossa identidade como uma nação. Por este pedaço de terra à beira-mar plantado já passaram as mais diversas culturas do mundo e mesmo assim Portugal criou-se à sua própria imagem, aproveitando os pontos positivos de todos os que por cá passaram. Ainda hoje, Portugal continua a acolher milhares de estrangeiros que escolheram o nosso país para viver e trabalhar o que, na minha opinião, só enriquece a nossa cultura. Na diferença está o ganho.


by; Blog Miguel Lomelino

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Preito de Gratidão


Ao Benemérito filho da minha terra, Dr. João Joaquim Izidro dos Reis.
18 de Fevereiro de 1906,sessão inaugural da Ponte sobre o Tejo entre os Concelhos da Chamusca e Golegã.

...para esta obra estar feita, alguém houve que tanto conseguiu e pode, pela força indomável da sua vontade, pela veemência tanta vez comprovada do seu amor ao povo da Chamusca...
...o seu nome deve estar gravado no coração de todos...a ponte sobre o Tejo, pondo a Chamusca em comunicação fácil com o resto do país determinará uma tão grande riqueza e bem estar, que a palavra empalidece à falta de recursos bastantes para o fazer compreender.
...Quando olho em volta de mim; quando subo a esras encostas e estendo a vista pela grandiosidade do nosso horizonte; quando conteplo a pujança de visa, a rebentar de toda a parte e o encanto da paisagem de toda a parte a enlevar-nos e a prender-nos, eu digo: - Aqui depôz a natureza o seu beijo mais afectuoso; aqui engastou a gema do abençoado torrão da terra portuguesa...
...enquanto houver sobre o Tejo a ponte da Chamusca, cada um dos seus pilares erguerá bem alto em caracteres luminosos, o nome do seu promotor; e os varões dessa ponte, entrelaçando-se, como que formarão a coroa aureoladora d'um renome eterno.

Luís Netto 18 de Fevereiro de 1906

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Implantação da República.


Implantação da República.

A República é a forma de regime político em que o Chefe do Estado é eleito pelo povo, não sendo um cargo hereditário nem vitalício como acontece nas monarquias.
Em Portugal o Presidente da República é eleito directamente, por todos os eleitores inscritos nos cadernos eleitorais, num período de quatro anos, podendo ser reeleito mais uma vez.
A República foi Implantada em Portugal por via revolucionária em 5.10.1910, após duas tentativas fracassadas (31.01.0891 ), no Porto, e 28.01.1908, em Lisboa).

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008


1. Proclamação da República Portuguesa (Vários simbolismos alegóricos). 2. Dr. Manoel d’Arriaga – 1º Presidente da República.3. República Portuguesa – 5 de outubro de 1910 (Várias alegorias e o retrato do Dr.Manoel d’Arriaga).4. Dr. Miguel Bombarda e Almte. Candido dos Reis, falecidos respectivamente em 3-10-1910 e 4-10-1910.5. A Portugueza - Música de Alfredo Kiel6. Recordação Histórica – Proclamação da República por José Relvas e Eusébio Leão – Câmara Municipal de Lisboa.7. República Triumphante – Heroe de Chaves. 5 de outubro d 1910.8. Revolução de 5 d’Outubro – Machado dos Sanos no acampamento.9. Revolução de 5 d’Outubro – Arvora-se Bandeira na Rotunda, em 4 de outubro.10. Revolução de 5 d’Outubro – Em linha de fogo na Rotunda.11. Bandeira Portugueza / Dr. Manoel D’Arriaga / Primeiro Presidente da República.12. Na Rotunda da Avenida – Entrincheiramento.13. Na Rotunda da Avenida – A heroína Amelia dos Santos.14. Revolução de 5 de outubro de 1910 – No local do acampamento (grupo de revoltosos).

A REVOLUÇÃO E A PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA
Um dos acontecimentos da história contemporânea melhor documentado em postais ilustrados é o da Revolução Republicana e Proclamação da República em 1910. A variedade dos assuntos abordados – republicanos falecidos nas vésperas da República, reportagens da revolução, proclamação oficial e constituição do governo provisório, primeiros presidentes, heróis republicanos, figuras alegóricas e símbolos nacionais, actividade parlamentar e eleições constituintes – provam o impacto que teve na sociedade portuguesa as nvoas realidades políticas. O postal ilustrado como veículo de imagens não podia deixar de refletir, de imediato, os factos que abalaram Portugal. As casas editoras aproveitaram a oportunidade para lançarem no mercado coleções de atualidade, servindo-se de clichés de fotógrafos então em voga (Joshua Benoliel, Fernandes, A .Novaes). Benoliel era conhecido pelas suas fotografias para a revista Ilustração Portuguesa.O ambiente da revolta militar, a soblevação do exército e da marinha e a intervenção dos populares, entre os quais sobressai uma mulher (Amélia Santos), chegam ao conhecimento histórico através do postal, que passa a ser a fonte iconográfica principal dos referidos acontecimentos. A implantação da República Portuguesa teve o apoio da população, enquadrada pelas sociedades secretas Carbonária Formiga Branca.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008


“E o tropa, mandado às urtigas como se sarna tivesse, por aqueles a quem defendia o rabiosque e a propriedade, criava o seu clã: os tropa. E ficava tudo em família, era mesmo uma festa, uma alarvice sem propósito, maneiras rascas, coisas primitivas de quem nasceu nas berças, desceu a Lisboa ainda de cueiros, vestiram-lhe uma farda e só viu o mar, pela primeira vez, a bordo do “Vera Cruz”, navio negreiro. E era uma coisa alegre e rude, aquele caminhar sem jeito pelas ruas da baixa [de Luanda], os gritos, as vozes estridentes, a gargalhada por tudo e coisa nenhuma que provocavam a repulsa constrangida dos brancos e a adesão dos pretos miseráveis que se amontoavam, com as suas caixas de graxa, nas praças e esplanadas. Só as “bichas” nos sorriam, nos davam atenção, estendiam a ponte entre nós e a cidade alheia. Por interesse, claro. Pagavam-nos os finos, convidavam-nos para jantar, levavam-nos às boîtes da ilha ver os travestis: aplanavam terreno, os sabidos.”

in Os Navios Negreiros Não Sobem o Cuando (1993), de Domingos Lobo.

© Blog da Rua Nove

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

A Voz do Operário

Parabéns a esta instituição que apesar dos tempos dificeis, vai dizendo a mais de 500 crianças que lá aprendem, o valor das letras, e que vale a pena, acreditar no futuro. Hoje 13 de Fevereiro é data para celebrar o querer e o crer.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Jan Saudek

A prefeita de Milão, Letizia Moratti, censurou uma mostra fotográfica que teria imagens dos fotógrafos Joel Peter Witkin e Jan Saudek.
A história está no Trama Fotográfica, o blog da Simonetta.


© Jan Saudek

domingo, 10 de fevereiro de 2008

A nossa memória


Massacre de Mi Lay. 1968
Em março de 1968, soldados americanos entraram na aldeia vietnamita “Mi Lay” e executaram os civis, a maioria crianças e mulheres.
A opinião pública dos EUA começou a mudar de lado. Passou a contestar a guerra do Vietname, quando a imprensa americana e a do resto do mundo revelaram as imagens do massacre.
Published by Claudio Versiani

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Carnaval 2008

Carnaval no Rio de Janeiro com a modelo Brasileira, Viviane Castro, sambando, e monstrando um rosto alegre, apesar da falta de roupa que a obriga a voltar às origens.
Carnaval em Lazarim, em Portugal, continuamos a meter caretos e burros para manter a tradição. E não é que nós até gostamos!