sábado, 20 de outubro de 2007

Casas Palafitas em Alpiarça


Em Alpiarça, por certo se vai deixar de ver esta mostra do passado, pois a ruína já se instalou na maioria deste património. É pois mais uma imagem que desaparecerá para os vindouros, tornando por isso as imagens, ainda possíveis de captar uma "pérola"para que se possa com verdade falar na precariedade com que os nossos antepassados, viveram. Aconselho pois uma viagem ao patacão, enquanto é tempo.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Um ribeiro na Chamusca




Na saída norte do Concelho da Chamusca, a água corre como aqui vemos, azul, num lugar aprazível e fresco, por entre as ramagens verdes, destes dias de outono.



quarta-feira, 19 de setembro de 2007

É que até já vivi...


Após uma manhã de trabalho, que se mostrou produtivo e simplificador de meios, com o meu Coordenador de edição da colecção literatura e um novo autor, que nos vai enriquecer a colecção, partimos para um almoço de descompressão.
Após uma volta linguística, do Portugal de Abril ao Portugal actual, verificámos que em todo este tempo as estórias se misturam e as realidades são aclaradas de uma forma que por vezes cria mágoa.
A disponibilidade manifestada, ao longo de décadas, em nome da cidadania e das nossas crenças, foram motores de experiências e vivências que desnudam as palavras, que nos atiram, de forma imberbe e acusatórias, por tomarmos partido e de termos ideais.
Ao perceber isto, percebo que até já vivi...

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Inquisição na Chamusca


Chamusquenses que saíram em auto-de-fé 41
- Naturais do Concelho 36
- Chamusquenses por adopção 5
Assim distribuidos;
- Vila da Chamusca 30
- Vila de Ulme 1
- Vale de Cavalos 3
- Residentes fora do Concelho 7
Motivos;
- Judaísmo 16
- Juramento blasfemo 2
- Por diminuto 2
- Negativo e pertinaz 3
- Abjuração de veemente 1
- Casar 2ª vez ( sendo viva a 1ª mulher ) 1
- Actos desonestos 1
- Feitiçaria 1
- Pacto com o diabo 2
- Acções torpes 2
- Porque sim 1

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Fazer e Refazer a História


Em plena guerra civil, no mês de Abril de 1834, D. Miguel I, esteve na Chamusca onde se encontrou com o Espanhol D. Carlos de Bourbon, numa casa na "formiga" então pertença da família Coutinho. Um bêbado local, o Silva Albardeiro, estimulado por liberais locais foi à noite, ao pé da referida casa dar vivas à liberdade. D. Miguel assomou à janela, riu-se, falou ao manifestante e mandou dar-lhe mais vinho. O Silva Albardeiro, sentiu-se honrado e logo ali, se esqueceu da liberdade e passou a dar vivas a D. Miguel.....

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Isto é que é tabaco


Encontrei o meu amigo Gil, que me faz sempre cada pergunta que mais parecem duas. Hoje acicatou a seguinte. "Para que serve terem posto nos maços de tabaco, que o tabaco mata, que o tabaco causa impotência, que o tabaco, isto e mais aquilo, e naqueloutro?".

Disse-lhe que não sabia, naquele meu feitio, de não querer saber disso, para nada, uma vez que nem fumo nem nunca fumei nem me vejo agora a começar a fumar. Sorriu admirado, troçou da minha ignorância, e pôs-se a falar alto, como se necessita-se de se ouvir;
- Apoio aos produtores de tabaco, em vez de comes, fumo, em vez de saúde, diz que mata, pode circular livremente, apesar dos seu malefícios serem conhecidos, cobra-se impostos do que mata e não se impede, bla bla bla bla, tu não sabes, mas mestre Gil sabe.
E lá foi o Vicente a rir-se da minha confessa inabilidade para compreender, estas e outras perguntas, que sempre me faz.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Direitos Humanos


A grande mensagem do século XVIII, é a Declaração dos Direitos Homem e do Cidadão (1789) pode ser sintetizada pela afirmação de um direito social fundamental. O fim da sociedade é a felicidade comum. A essência da Declaração apoia-se na ideia de que, ao lado dos Direitos de Homem e do Cidadão, existe a obrigação de o Estado respeitar e garantir os Direitos Humanos, facto que se apresentou em oposição às ideias em que os Direitos Humanos eram concebidos como direitos naturais, impostos por Deus em favor dos monarcas e aristocratas, para justificar as violências que praticavam. O século XVIII substitui, em síntese, a fundamentação teológica por um fundamento racionalista da mesma questão: Direitos Humanos.

"Papéis Velhos"


Nas leituras de fim de semana, apareceu sei lá bem como, mais uma pérola de 1961. O livro retirado dos papéis velhos é de autoria de Francisco Manso Preto Cruz, um defensor da monarquia que tenta explicar, os passos dados por Portugal, enquanto teoria monárquica e como é "mau" a república, assinalando aspectos económicos, religiosos e de grandeza e pequenez de factos, que de lamuria em lamuria, acaba por nos explicar a falta de coragem (a seu ver) que o nosso país enfrentou, em datas que necessitavam de coragem e decisão.
Reconhece a nossa tendência, em acreditar, que tudo se há-de arranjar, mais tarde ou mais cedo e o que é preciso é esperar....
A Páginas tantas tem esta pérola "Quando a Pátria está em perigo, Ela exige que se violem as leis que a traíram..."

O desespero das causas são irracionais e o que os nossos olhos guardam ao longo da vida é espólio fotográfico perdido com a morte.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

...um poema de Carlos Conde

Quando a gente se esquece de lembrar
Aquilo que se lembra de esquecer,
Há sempre uma saudade p'ra matar
E logo outra saudade p'ra viver!

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Hoje como à trinta anos


Mergulhado no espólio das Edições Cosmos, mexo na "A marcha da humanidade" colecção dirigida pelo Prof. Vitorino Magalhães Godinho, que em 1977 dá à estampa o livro O Movimento Autonomista no Brasil, de Carlos Oberacker Jr.
É um livro que nos fala concretamente do Grito do Ipiranga e retrata a província de São Paulo de 1819 a 1823. No seu prefácio pode ler-se
- Ultimamente as figuras de alguns sinceros portugueses que assumiram posição nítida nos entrechoques começam a ser encarados com mais frieza.Estavam marcados com o signo simplista de inimigos, enquanto oportunistas autênticos eram tranquilamente absolvidos.

É uma pequena pérola escrita por Américo Jacobina Lacombe, a propósito da história patrioteira que costuma eleger alguns padrões de virtudes e condenar sumariamente os seus oponentes.

domingo, 19 de agosto de 2007

O Futuro?


O nosso passado é uma das poucas certezas da nossa existência. Carrega um imenso património cultural que nos formou, que nos construiu, que nos há-de acompanhar até ao último sopro de vida.
Se não puder ser entendido como mestre dos nossos comportamentos, sê-lo-á, seguramente, como evocação dos nossos primeiros amores e devoções e das perplexidades com que olhávamos o futuro.
E, num tempo de materialismos estéreis, de indiferença perante valores ancestrais e desprezo por heranças morais e éticas, este trabalho, porque preserva muito da nossa memória, deve ser tido, e lido, como um preito muito expressivo, à sua região, ao seu povo, à sua natureza e à sua perene cultura.

Este texto foi retirado do livro " O Souto- Uma Cultura - Um Povo" de autoria de Manuel Soares Traquina, lançado no dia 18 de Agosto de 2007.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

A Condição Humana




Se a personagem de Romain Rolland soube morrer em felicidade entre os seus ente queridos,
«pour avoir donné un sens à sa vie»
então, não terá sido difícil, fechar os olhos para sempre - tendo sabido dar um destino à sua vida - acompanhado e sentido por homens de todas as raças e credos, uns ajoelhados por altares diferentes, outros simplesmente de pé, lutando por qualquer ideal combativamente activos, como ele queria quando se antepôs à «trahison des clercs» e se reafirmava corajosamente:

« Não é bom sonhar em demasia. O sonho não é inofensivo num Mundo em que se deve constantemente agir e vigiar a acção».

... não dou o nome de herói àqueles que triunfaram pelo pensamento e pela força; chamo de heróis àqueles que foram grandes pelo coração...

Retirado da nota explicativa das Edições Cosmos e de Carlos Vieira de Carvalho, aquando da publicação das crónicas a propósito do centenário de Romain Rolland ( Outubro de 1967 ).

sábado, 11 de agosto de 2007

As observações e a razão

" No momento em que se produz a diferenciação das almas individuais, a acção da Religião começa a manifestar-se na protecção da vida humana. Com efeito, não sendo a alma individual mais do que o outro polo do sagrado, o ponto de imputação do pecado religioso, ela própria se torna sagrada e o assassinato afirma-se como um sacrilégio que provoca a cólera dos Deuses, desde que as almas individuais se singularizem suficientemente. O que é paralelo, independentemente de qualquer outro aspecto ( por exemplo, económico ), à espiritualização e à humanização crescente da religião, à passagem do Deus totémico a um Deus pessoal.
Os Deuses tomam a responsabilidade das almas e das vidas individuais, desde que eles próprios se tornem pessoas. Então, o assassinato transforma-se numa revolta contra Deus, que fez o homem à sua imagem; implica um pecado religioso e provoca um castigo vindo de Deus, acompanhado de uma reprovação pública. É no momento do encontro entre Religião e Magia na protecção da vida humana que nasce o direito penal que impede o homicídio, simultâneamente com o direito individual à inviolabilidade da vida.

Retirado do livro A vocação actual da sociologia de Georges Gurvitch, publicado pelas Ediçoes Cosmos na sua colecção coordenadas, com a direcção de Vitorino Magalhães Godinho

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Bem Perto do Céu

Porque a atitude perante as estátuas é a mesma que para com uma pessoa viva: fala-se-lhes, toca-se-lhes, fixam-se com uma consistência de quem espera algo em troca, levam-se junto dela objectos familiares ou crianças. ( Sanchis, 1992:42)

Retirado do livro de Luís Vale, a ser lançado na fnac-gaia dia 29-07-2007 às 17 horas

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Um livro

Quantas vezes pensamos que já nada ou pouca coisa terá o "dom" de nos surpreender?
Mas não é assim!
Quando um simples livro com poemas simples, daqueles que nos falam da terra, das coisas poucas da nossa infância, parcas de luxo e mestras dos nossos mestres aquando tínhamos idade para estudar e já tínhamos superado o termo inicial de aprendizes, nos fazem recordar os percursos singelos e únicos que nos fizeram a todos e a cada um homens e mulheres que nunca foram meninos (...) mas que não esquecem as suas raízes e que tentam com o seu empenhado esforço transmitir às novas gerações que os valores que os mantiveram verticais e dignos, são valores que exigem aos seus descendentes. É disto que nos fala o livro de Maria Luísa Duarte, lançado no passado dia 18 de Junho na sua querida terra, o Pombalinho.
E foi bom de ver, sala cheia de pessoas havidas de reaver os sorrisos dos que na terra estão e dos que para o evento vieram, pois do que se tratava era tão só aproveitar o que de bom a vida tem de simples e de verdadeiro. Aqui se falou do amor a terra, dos dias de ontem dos dias de hoje e até como no livro se recordaram as mães os avós e como possivelmente as coisas que nos dividem são mais pequenas do que aquilo que nos une.
Coisa bonita, dizia o apresentador Brasileiro, que de sorriso em sorriso acariciava com um olhar terno as suas companheiras de rádio, dizendo em cada beijo, que ele Rosildo estava cuidando daquela sua família reunida em inúmeras conversas que possivelmente estavam por fazer à anos, porque, para ler um poema na frente de tanta gente, mesmo conhecida, é preciso estar identificado com ele.
Para a Maria Luísa, fica por certo uma divida por pagar, pois senti que as gentes a sua terra sentiram que ela sobe elevar os valores das pessoas que amanham o germinar da vida com garra e deixou uma mensagem de esperança nesta difícil arte de estar vivo

Imagens literarias

A descoberta de "velhos " valores que ajudaram a sociedade a chegar até aqui, com critérios, esses sim, discutíveis, que premiavam os que de alguma maneira se salientavam na sociedade em que estavam inseridos, vem pôr em causa todas as formas de reformas a que actualmente assistimos. No entanto nota-se como em todas as revoluções o mesmo zig-vaguear de desnorte de quem espera as oportunidades e de quem sente que nada vai continuar como até aqui mas que sem perspectivas de solução, erra apático.

Tudo isto a propósito dos ataques que cada um faz a tudo e a todos de uma forma descabida e até como se fosse esse o seu último acto, pensando estar a utilizar a alavanca certa para neutralizar as partes que considera obstáculo ao seu querer desenfreado e a seu ver desabrido de certezas. Por certo este tempo azedo, fará lembrar os tempo da concórdia e " vacas gordas" onde a harmonia balofa e cheia de tédio, era propicia a outros confrontos que geralmente acabavam em partilha por parte dos de sempre, mas que usavam meios subtis e de refinada educação aprendida nas gerações que os tinham tornado elitistas. Desta vez os confrontos são para a tomada de posse por outros meios e necessitam de argucia felina, roçando por incompreensão o querer descortinar onde começa e onde acaba o infinito.

É pois possível que este mundo, tal como o conhecemos, tenha expirado e que se tenha começado uma nova era onde os valores que compilamos durante décadas, nomeadamente o Republicano e o Democrático, baseado nos valores sociais de cada um e por cada individuo, tenha que reformular a abordagem aos princípios humanistas de defesa da dignidade, exigindo que por principio nunca se ponha em causa o seu direito a liberdade de expressão e principalmente à sua escolha filosófica e politica e (ou) escolha religiosa.