segunda-feira, 3 de setembro de 2007

"Papéis Velhos"


Nas leituras de fim de semana, apareceu sei lá bem como, mais uma pérola de 1961. O livro retirado dos papéis velhos é de autoria de Francisco Manso Preto Cruz, um defensor da monarquia que tenta explicar, os passos dados por Portugal, enquanto teoria monárquica e como é "mau" a república, assinalando aspectos económicos, religiosos e de grandeza e pequenez de factos, que de lamuria em lamuria, acaba por nos explicar a falta de coragem (a seu ver) que o nosso país enfrentou, em datas que necessitavam de coragem e decisão.
Reconhece a nossa tendência, em acreditar, que tudo se há-de arranjar, mais tarde ou mais cedo e o que é preciso é esperar....
A Páginas tantas tem esta pérola "Quando a Pátria está em perigo, Ela exige que se violem as leis que a traíram..."

O desespero das causas são irracionais e o que os nossos olhos guardam ao longo da vida é espólio fotográfico perdido com a morte.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

...um poema de Carlos Conde

Quando a gente se esquece de lembrar
Aquilo que se lembra de esquecer,
Há sempre uma saudade p'ra matar
E logo outra saudade p'ra viver!

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Hoje como à trinta anos


Mergulhado no espólio das Edições Cosmos, mexo na "A marcha da humanidade" colecção dirigida pelo Prof. Vitorino Magalhães Godinho, que em 1977 dá à estampa o livro O Movimento Autonomista no Brasil, de Carlos Oberacker Jr.
É um livro que nos fala concretamente do Grito do Ipiranga e retrata a província de São Paulo de 1819 a 1823. No seu prefácio pode ler-se
- Ultimamente as figuras de alguns sinceros portugueses que assumiram posição nítida nos entrechoques começam a ser encarados com mais frieza.Estavam marcados com o signo simplista de inimigos, enquanto oportunistas autênticos eram tranquilamente absolvidos.

É uma pequena pérola escrita por Américo Jacobina Lacombe, a propósito da história patrioteira que costuma eleger alguns padrões de virtudes e condenar sumariamente os seus oponentes.

domingo, 19 de agosto de 2007

O Futuro?


O nosso passado é uma das poucas certezas da nossa existência. Carrega um imenso património cultural que nos formou, que nos construiu, que nos há-de acompanhar até ao último sopro de vida.
Se não puder ser entendido como mestre dos nossos comportamentos, sê-lo-á, seguramente, como evocação dos nossos primeiros amores e devoções e das perplexidades com que olhávamos o futuro.
E, num tempo de materialismos estéreis, de indiferença perante valores ancestrais e desprezo por heranças morais e éticas, este trabalho, porque preserva muito da nossa memória, deve ser tido, e lido, como um preito muito expressivo, à sua região, ao seu povo, à sua natureza e à sua perene cultura.

Este texto foi retirado do livro " O Souto- Uma Cultura - Um Povo" de autoria de Manuel Soares Traquina, lançado no dia 18 de Agosto de 2007.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

A Condição Humana




Se a personagem de Romain Rolland soube morrer em felicidade entre os seus ente queridos,
«pour avoir donné un sens à sa vie»
então, não terá sido difícil, fechar os olhos para sempre - tendo sabido dar um destino à sua vida - acompanhado e sentido por homens de todas as raças e credos, uns ajoelhados por altares diferentes, outros simplesmente de pé, lutando por qualquer ideal combativamente activos, como ele queria quando se antepôs à «trahison des clercs» e se reafirmava corajosamente:

« Não é bom sonhar em demasia. O sonho não é inofensivo num Mundo em que se deve constantemente agir e vigiar a acção».

... não dou o nome de herói àqueles que triunfaram pelo pensamento e pela força; chamo de heróis àqueles que foram grandes pelo coração...

Retirado da nota explicativa das Edições Cosmos e de Carlos Vieira de Carvalho, aquando da publicação das crónicas a propósito do centenário de Romain Rolland ( Outubro de 1967 ).

sábado, 11 de agosto de 2007

As observações e a razão

" No momento em que se produz a diferenciação das almas individuais, a acção da Religião começa a manifestar-se na protecção da vida humana. Com efeito, não sendo a alma individual mais do que o outro polo do sagrado, o ponto de imputação do pecado religioso, ela própria se torna sagrada e o assassinato afirma-se como um sacrilégio que provoca a cólera dos Deuses, desde que as almas individuais se singularizem suficientemente. O que é paralelo, independentemente de qualquer outro aspecto ( por exemplo, económico ), à espiritualização e à humanização crescente da religião, à passagem do Deus totémico a um Deus pessoal.
Os Deuses tomam a responsabilidade das almas e das vidas individuais, desde que eles próprios se tornem pessoas. Então, o assassinato transforma-se numa revolta contra Deus, que fez o homem à sua imagem; implica um pecado religioso e provoca um castigo vindo de Deus, acompanhado de uma reprovação pública. É no momento do encontro entre Religião e Magia na protecção da vida humana que nasce o direito penal que impede o homicídio, simultâneamente com o direito individual à inviolabilidade da vida.

Retirado do livro A vocação actual da sociologia de Georges Gurvitch, publicado pelas Ediçoes Cosmos na sua colecção coordenadas, com a direcção de Vitorino Magalhães Godinho

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Bem Perto do Céu

Porque a atitude perante as estátuas é a mesma que para com uma pessoa viva: fala-se-lhes, toca-se-lhes, fixam-se com uma consistência de quem espera algo em troca, levam-se junto dela objectos familiares ou crianças. ( Sanchis, 1992:42)

Retirado do livro de Luís Vale, a ser lançado na fnac-gaia dia 29-07-2007 às 17 horas

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Um livro

Quantas vezes pensamos que já nada ou pouca coisa terá o "dom" de nos surpreender?
Mas não é assim!
Quando um simples livro com poemas simples, daqueles que nos falam da terra, das coisas poucas da nossa infância, parcas de luxo e mestras dos nossos mestres aquando tínhamos idade para estudar e já tínhamos superado o termo inicial de aprendizes, nos fazem recordar os percursos singelos e únicos que nos fizeram a todos e a cada um homens e mulheres que nunca foram meninos (...) mas que não esquecem as suas raízes e que tentam com o seu empenhado esforço transmitir às novas gerações que os valores que os mantiveram verticais e dignos, são valores que exigem aos seus descendentes. É disto que nos fala o livro de Maria Luísa Duarte, lançado no passado dia 18 de Junho na sua querida terra, o Pombalinho.
E foi bom de ver, sala cheia de pessoas havidas de reaver os sorrisos dos que na terra estão e dos que para o evento vieram, pois do que se tratava era tão só aproveitar o que de bom a vida tem de simples e de verdadeiro. Aqui se falou do amor a terra, dos dias de ontem dos dias de hoje e até como no livro se recordaram as mães os avós e como possivelmente as coisas que nos dividem são mais pequenas do que aquilo que nos une.
Coisa bonita, dizia o apresentador Brasileiro, que de sorriso em sorriso acariciava com um olhar terno as suas companheiras de rádio, dizendo em cada beijo, que ele Rosildo estava cuidando daquela sua família reunida em inúmeras conversas que possivelmente estavam por fazer à anos, porque, para ler um poema na frente de tanta gente, mesmo conhecida, é preciso estar identificado com ele.
Para a Maria Luísa, fica por certo uma divida por pagar, pois senti que as gentes a sua terra sentiram que ela sobe elevar os valores das pessoas que amanham o germinar da vida com garra e deixou uma mensagem de esperança nesta difícil arte de estar vivo

Imagens literarias

A descoberta de "velhos " valores que ajudaram a sociedade a chegar até aqui, com critérios, esses sim, discutíveis, que premiavam os que de alguma maneira se salientavam na sociedade em que estavam inseridos, vem pôr em causa todas as formas de reformas a que actualmente assistimos. No entanto nota-se como em todas as revoluções o mesmo zig-vaguear de desnorte de quem espera as oportunidades e de quem sente que nada vai continuar como até aqui mas que sem perspectivas de solução, erra apático.

Tudo isto a propósito dos ataques que cada um faz a tudo e a todos de uma forma descabida e até como se fosse esse o seu último acto, pensando estar a utilizar a alavanca certa para neutralizar as partes que considera obstáculo ao seu querer desenfreado e a seu ver desabrido de certezas. Por certo este tempo azedo, fará lembrar os tempo da concórdia e " vacas gordas" onde a harmonia balofa e cheia de tédio, era propicia a outros confrontos que geralmente acabavam em partilha por parte dos de sempre, mas que usavam meios subtis e de refinada educação aprendida nas gerações que os tinham tornado elitistas. Desta vez os confrontos são para a tomada de posse por outros meios e necessitam de argucia felina, roçando por incompreensão o querer descortinar onde começa e onde acaba o infinito.

É pois possível que este mundo, tal como o conhecemos, tenha expirado e que se tenha começado uma nova era onde os valores que compilamos durante décadas, nomeadamente o Republicano e o Democrático, baseado nos valores sociais de cada um e por cada individuo, tenha que reformular a abordagem aos princípios humanistas de defesa da dignidade, exigindo que por principio nunca se ponha em causa o seu direito a liberdade de expressão e principalmente à sua escolha filosófica e politica e (ou) escolha religiosa.