sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Pablo Neruda



Plena mulher, maçã carnal,
lua quente,espesso aroma de algas,
lodo e luz pisados,
que obscura claridade se abre entre tuas colunas?
que antiga noite o homem toca com seus sentidos?
Ai, amar é uma viagem com água e com estrelas,
com ar opresso e bruscas tempestades de farinha:
amar é um combate
de relâmpagos e dois corpospor um so mel derrotados.
Beijo a beijo percorro teu pequeno infinito,tuas margens,
teus rios, teus povoados pequenos,
e o fogo genital transformado em delíciacorre
pelos tênues caminhos do sangue
até precipitar-se como um cravo noturno,
até ser e não ser senão na sombra de um raio.

Poema: Pablo Neruda

(imagem: creative-nude.net)

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